
Salvador – Prestes a perder o direito de operar o sistema ferryboat, por decisão do Governo do Estado que vai decretar o rompimento do contrato de concessão, a concessionária paulista TWB vive um verdadeiro inferno astral nos seus últimos dias na Bahia. Neste sábado (25), às 12h30, o ferry dose-dupla “Agenor Gordilho” bateu violentamente durante manobras para atracar no Terminal de São Joaquim, causando o maior susto em centenas de usuários.
Sem manutenção e navegando precariamente, o “Agenor Gordilho” apresentou um problema no sistema de reversão e bateu forte contra o muro do fundo do prédio da antiga Petrobras. Vários usuários ligaram para o JORNAL DA MÍDIA e para a Capitania dos Portos denunciando o acidente. Uma equipe da Capitania esteve no Terminal de São Joaquim. O ferry queimou o horário das 13h e deve ter sido interditado pela fiscalização da Capitania. O JM não conseguiu contactar com a CP.
Os marítimos da TWB estão preocupados com a situação dos navios do sistema ferryboat. “O defeito no reversor poderia ter causado um acidente de maior gravidade se navio batesse contra as muralhas de pedra que protegem as casas da Feira de São Joaquim. Seria um desastre com vítimas”, relatou um marítimo da TWB.
“Se acontecer um acidente grave, o que é muito provável, quem vai responder inquérito na Capitania dos Portos somos nós, marítimos. Ninguém quer saber as condições dos navios, que são precaríssimas. Alguém tem que tomar uma providência. Como está, fica muito fácil para a Capitania dos Portos instaurar inquérito e punir os trabalhadores. E a empresa, que deixa o navio operar assim não é responsável? E o governo? A culpa é só dos marítimos”, desabafou o funcionário da TWB.
Com a batida, a parte da proa do “Agenor Gordilho” foi danificada. “Levei o maior susto e pensei que algum carro tivesse caído dentro d’água. Felizmente nada aconteceu de mais grave. Mas é preciso que o governo adote uma providência urgente. Os usuários não podem correr esses riscos que correm diariamente no ferryboat”, disse Valter Santos Silva através de telefone ao JM.
Na Bahia desde 2005, a TWB terá o contrato de concessão de 25 anos, assinado no governo de Paulo Souto, rompido em breve pelo Estado. A Agerba aguarda apenas o parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre a defesa apresentada pela TWB às acusações de prática de inúmeras irregularidades. Se o parecer da PGE sair na próxima semana, a extinção do contrato será decretada imediatamente pelo governador Jaques Wagner.
Extraoficialmente informa-se que a TWB vai protelar ao máximo, através de ações judiciais, a sua saída da Bahia. O objetivo é ganhar tempo e faturar o máximo. Enquanto isso, a população segue correndo o risco de um acidente na travessia entre Salvador e Bom Despacho, na Ilha de Itaparica. Apesar de garantir que os usuários não ficarão sem o serviço da travessia, a Agerba não esboça, até o momento, alguma iniciativa com vistas à intervir logo no sistema para garantir a segurança dos passageiros.
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