REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA
Salvador – Preocupados com a situação dos trabalhadores da concessionária TWB, diante da difícil situação financeira em que a empresa se encontra, representantes de dois sindicatos dos marítimos foram recebidos hoje (27) pelo diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, na sede da agência, no CAB.
Os sindicalistas traçaram para o diretor da Agerba um quadro extremamente preocupante sobre as questões trabalhistas envolvendo a concessionária paulista, que perderá o contrato de concessão com o Estado em breve, sendo substituída pela Internacional Marítima.
“A TWB não recolhe FGTS dos trabalhadores há mais de um ano, não recolhe INSS, deve as parcelas retroativas ao acordo de outubro de 2010, não paga férias, entre outras irregularidades”, resumiu Valter Ramos, presidente do Sindicato Nacional dos Mestres e Contramestres, que tem sede no Rio de Janeiro.
Também esteve presente à reunião o presidente do Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquina e de Convés, Paulo César Lindoti.
“Quem assumirá a dívida trabalhista envolvendo salários e encargos com os traballhadores é o Estado ou a empresa que vai suceder a TWB? Esta questão foi apresentada e discutida com a Agerba”, observou Lindoti, acrescentando que os sindicalistas foram muito bem recebidos pelo diretor da Agerba.
Amanhã (28) os trabalhadores marítimos da TWB estarão reunidos em assembleia geral, às 18h, no Terminal Marítimo de São Joaquim para discutir a situação, já que a saída da TWB do sistema ferryboat é fato consumado.
Os sindicatos estão preocupados também com a questão de segurança das embarcações do sistema ferryboat, totalmente sucateadas, que colocam em risco constante os trabalhadores e milhares de usuários.
No último sábado, o ferryboat “Agenor Gordilho” apresentou um defeito no sistema de reversão e o navio bater contra as pedras próximo à antiga sede da Petrobras. Isto porque, quando ocorrem acidentes a Capitania dos Portos abre inquérito e os marítimos embarcados são obrigados a depor.
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O risco de acidente é muito grande e a possibilidade de que os funcionários venham a ser penalizados por isto é tão real quanto. Outro dia estive conversando com um coronel aposentado do Exército que me disse ter sido contratado pela TWB para investigar sabotagens feitas pelos funcionários. Alertei alguns para que denunciem todas as vêzes em que a empresa os obrigar a navegar com embarcações fora das especificações técnicas determinadas pela Capitania dos Portos. TODOS NÓS sabemos que a TWB sempre negligenciou com a manutenção preventiva e corretiva de terminais e embarcações, Deus nos livre e guarde de um acidente grave, mas, se isto acontecer, os diretores da TWB não exitarão em jogar a responsabilidade nas costas dos marítimos.
Tudo isto é realmente preocupante
Onde estavam os sindicatos ao longo destes 6 anos? Onde estavam os sindicatos enquanto a TWB retirava os alojamentos e obrigava os funcionários a dormir sob papelões no chão? Onde estavam enquanto a concessionária descumpria acordos trabalhistas? E quando os empregados eram obrigados a cumprir jornadas extras e exaustivas colocando em risco suas vidas e dos usuários? Desejo que agora os sindicatos se façam presentes e busquem preservar os direitos dos trabalhadores. O Estado não pode permitir que a TWB deixe aqui este passivo trabalhista. TODOS NÓS sabemos que não é verdade que a empresa passa por uma crise financeira, afinal ela esta atuando em Recife e desenvolve outras atividades em outros Estados. É preciso garantir os direitos de tantos pais de família.