
Valério diz que Lula era o verdadeiro comandante da organização criminosa denunciada pelo Ministério Público. Afirma que a quadrilha do mensalão contava com um caixa de 350 milhões de reais, o triplo, portanto, do valor identificado pela Polícia Federal. Além disso, ressalta que desde a eclosão do escândalo, em 2005, teve Paulo Okamotto como interlocutor no PT.
Amigo do peito e pagador de contas pessoais do ex-presidente da República, Okamotto era fiador de um acordo que previa a impunidade em troca do seu silêncio. O empresário desabafou: “Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”.
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Valério sempre ameaçou relatar em detalhes o funcionamento do mensalão. E sempre foi contido – segundo contou a pessoas próximas – pela promessa do ex-presidente e do PT de ajudá-lo na Justiça. Esse acordo se manteve de pé até o início do julgamento no STF.
Já condenado por corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro, crimes que podem resultar numa pena de mais de 100 anos de prisão, Valério resolveu compartilhar seus segredos com um grupo seleto de confidentes. A revelação dessas conversas por VEJA desnorteou o PT, conforme mostra reportagem publicada na edição desta semana.
Lula, um notório entusiasta do debate em público, preferiu o silêncio ao ser confrontado com as novas informações. Não rechaçou o que Valério contou nem tentou desqualificá-lo. Dirceu e Delúbio seguiram o chefe. Não foi à toa. Segundo aliados, Lula não quer desafiar Valério, que não teria mais nada a perder. Além disso, teme que o empresário revele mais detalhes se provocado. Rebatê-lo agora, sem saber do arsenal à disposição de Valério, seria uma estratégia de altíssimo risco.
A palavra de ordem é não comprar briga com o pivô financeiro do mensalão. Contra-ataques, só em cima dos alvos de sempre, aqueles aos quais os petistas recorrem, como uma conveniente muleta, toda vez que são pilhados em irregularidades.
Essa estratégia foi seguida à risca. Na segunda-feira, o PT divulgou uma nota conclamando a militância para “uma batalha do tamanho do Brasil” – no caso, a defesa do partido e do ex-presidente. O texto não faz menção às confissões de Valério. Ou seja: não explica do que Lula deve ser defendido.
Na quinta-feira, outra nota foi publicada. Ela retoma a tese de que o mensalão e seus desdobramentos não passam de uma conspiração urdida pela oposição e por setores da imprensa para tirar o PT do comando do país por meio de um golpe. Esse golpe seria alimentado com a divulgação de denúncias sem provas. Quais denúncias?
A redação petista não teve coragem, de novo, de citar as confissões de Valério, providencialmente esquecido. Fala de uma “fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja”. Fantasiosa, por ora, só a nota do PT. Ela foi elaborada pelo presidente da sigla, Rui Falcão. Em seguida, ele ligou para os presidentes de cinco partidos e pediu-lhes que subscrevessem o texto.
Não se tratou de uma solidariedade espontânea. Muito pelo contrário. O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, assinou sem ler e nem sequer consultou seus correligionários — entre eles, o vice-presidente da República, Michel Temer. “Não concordo com a nota, mas não podia recusar um pedido do presidente Lula”, revelou um dos signatários.
O PT sempre desdenhou dos impactos políticos do caso. Numa conversa com aliados dias antes do início do julgamento no STF, Lula disse que o processo teria “influência zero” sobre o partido e seus candidatos. Com a mesma confiança do líder messiânico que prometera aos réus livrá-los da condenação judicial, Lula lembrou que foi reeleito em 2006, um ano depois de ser acossado pela ameaça de um processo de impeachment, e fez de Dilma Rousseff sua sucessora em 2010. O mensalão seria uma mera “piada de salão”. Piadinha sem graça. (Veja)

































Parece-me que o Valério disse que não deu a tal entrevista. E que a revista alegou ter montado a reportagem com “conhecidos” do noticiante. Depois…né, ficam xingando os comentaristas com alegações de “independência” e coisas do tipo. Ninguém lê um jornal só. Nem uma revista só. Nunca os leitores leram e escreveram tanto quanto depois do advento da internet. Inclusive um jornal publicou o seguinte:
“(…)As manchetes dos jornais são autoexplicativas :
Correio Braziliense : “Relator: PT comprou voto e até um partido”
O Estado de S. Paulo : “Relator do mensalão diz que governo Lula comprou votos”
O Globo : “PT comprou voto de deputados, diz relator”
Zero Hora : “‘Não há dúvida sobre compra de votos’ diz relator do mensalão”
Folha de S.Paulo : “Não há dúvida de que PT comprou votos, diz relator”
Alvo
Pelos títulos dos matutinos, é bem possível imaginar onde a mídia quer chegar. O que os operadores do Direito precisam refletir (coisa difícil de se fazer no meio do furacão) é até que ponto o julgamento do mensalão está sendo pautado por circunstâncias alheias aos sagrados princípios do Direito ? (…)”
A estratégia de Lula e do PT já é conhecida. A esperança deles é que o “povão” que eles esperam o voto, não lêem, são desinformados e acreditam no que eles falam; é só plantar na cabeça do povo que é tudo “heresia”…
Mas a história vai “mostrar” mais… ou tudo. Quem viver (e quem ainda não mais estiver vivo), verá.
Parabéns pela qualidade do conteúdo informativo.
Sobre o Mensalão, tenho escrito vários artigos em meu Blog opiniaosemfronteiras.wordpress.com
Gostaria de receber seus comentários a respeito.
Na matéria editada hoje inseri uma “Carta a Marcos Valério” que pode ser ouvida através do link
Forte abraço,
Augusto Avlis
Eu nunca tive dúvidas de que Lula era o poderoso Chefão… o resto é consequência… Marcos Valério segurou a banana sozinho e como diz o amigo quem viver verá.