
A fruticultura baiana fechou 2025 em transformação. O valor da produção chegou a R$8,2 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior e o sétimo avanço nominal consecutivo, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE. O dado mais significativo está dentro desse resultado: a banana ultrapassou a manga e passou a ser a fruta de maior valor de produção da Bahia. A mudança ocorreu em um ano marcado por forte avanço da banana e queda expressiva da produção de manga.
A Bahia respondeu por 8,6% do valor da fruticultura brasileira, que alcançou R$95,7 bilhões em 2025. O estado ficou na quarta posição nacional, atrás de São Paulo, Pará e Minas Gerais.
Banana assume a liderança
A produção baiana de banana chegou a 912 mil toneladas em 2025, alta de 6,9% sobre o ano anterior. O valor gerado pela cultura cresceu ainda mais: 18,6%, passando para R$2,14 bilhões. Com esse resultado, a Bahia se tornou a segunda maior produtora de banana do país, atrás apenas de São Paulo, e ficou na terceira posição em valor de produção.
O avanço foi especialmente forte em Bom Jesus da Lapa. A produção do município cresceu 27,7%, para 170 mil toneladas, a terceira maior do país. Em valor, a alta chegou a 108%, levando o município à liderança nacional, com R$ 539,8 milhões gerados pela fruta.
O desempenho fez Bom Jesus da Lapa saltar para a segunda posição entre os municípios baianos de maior valor na fruticultura, com R$566,1 milhões, crescimento de 107% em um ano.
Manga perde espaço
A outra face desse movimento aparece na manga. A Bahia continuou como maior produtora nacional da fruta e líder em valor, mas registrou queda de 23,6% na produção, que recuou para 646,8 mil toneladas. O valor gerado caiu 29,4%, para R$1,44 bilhão.
Juazeiro manteve a liderança nacional na produção e no valor da manga, mas também sofreu redução. Foram 309 mil toneladas, queda de 26%, com valor de R$703,4 milhões, 32,2% abaixo do registrado em 2024.
Em Casa Nova, o recuo foi ainda maior. A produção caiu 45,5%, para 107 mil toneladas, enquanto o valor despencou 53,5%, para R$242,9 milhões.
O efeito aparece também no ranking municipal da fruticultura. Juazeiro continua como principal polo baiano, mas seu valor de produção caiu 29,4%, para R$1,24 bilhão. Casa Nova recuou para a terceira posição, enquanto Bom Jesus da Lapa avançou para o segundo lugar.
Maracujá ganha espaço
Se a banana foi a principal mudança na liderança, o maracujá foi outro destaque da fruticultura baiana em 2025. A Bahia manteve a liderança nacional em volume, com 350,8 mil toneladas, alta de 32,8% em relação a 2024. O valor da produção cresceu ainda mais, 38%, chegando a R$ 856,2 milhões.
O estado também passou a liderar o ranking nacional em valor gerado pela cultura. A força do maracujá está concentrada no interior. Ituaçu tornou-se o maior produtor brasileiro, com 54 mil toneladas, crescimento de 83,7% em um ano. O município também liderou o ranking nacional em valor, com R$ 140,6 milhões.
Livramento de Nossa Senhora, com 46,1 mil toneladas, e Tanhaçu, com 45 mil, completaram o pódio brasileiro da produção.
Graviola revela nova fronteira
A PAM 2025 também incorporou novos produtos à pesquisa e trouxe um dado que chama atenção para uma cadeia ainda menos conhecida da agricultura baiana: a graviola. A Bahia respondeu por 79,1% de toda a produção brasileira, com 136,8 mil toneladas. O valor gerado chegou a R$ 579,5 milhões, equivalente a 81% do total nacional.
Dos cinco maiores municípios produtores do país, quatro estão na Bahia: Wenceslau Guimarães, Presidente Tancredo Neves, Laje e Valença. O resultado coloca a graviola entre os produtos em que a Bahia não apenas tem participação relevante, mas exerce clara liderança nacional.
Morango também ganha destaque
Outro produto incluído na pesquisa em 2025 foi o morango. A Bahia apareceu como segundo maior produtor nacional, com 28,6 mil toneladas, ou 9,6% da produção brasileira. A produção está concentrada principalmente na Chapada Diamantina e no sudoeste baiano. Barra da Estiva, Mucugê e Ituaçu foram os maiores produtores do estado.
Barra da Estiva produziu 10 mil toneladas e ficou entre os dez maiores produtores do país. Mucugê, com 7 mil toneladas, também entrou no grupo.
O que os números mostram
Os dados da PAM mostram uma fruticultura baiana de R$ 8,2 bilhões e com uma base produtiva mais diversificada, mas também expõem a volatilidade de algumas cadeias.
A mudança da liderança entre manga e banana é o exemplo mais evidente. Enquanto a banana avançou em produção e valor, a manga sofreu forte retração, sobretudo nos principais polos do Vale do São Francisco.
Ao mesmo tempo, maracujá, graviola e morango mostram novas frentes de especialização agrícola no interior do estado.
O desafio passa agora por transformar essa diversidade em maior valor agregado. A Bahia já ocupa posições de liderança nacional em várias frutas, mas a capacidade de processamento, industrialização, logística e acesso a mercados será decisiva para que o crescimento da produção se converta em mais renda ao longo de toda a cadeia.
































