
A Bahia deve fechar 2026 com uma nova marca histórica na produção de grãos. A oitava estimativa do IBGE, referente a agosto, mantém a previsão de 13,26 milhões de toneladas, volume 3,2% superior ao recorde registrado em 2025, de 12,84 milhões de toneladas. A projeção representa um acréscimo de cerca de 417 mil toneladas em apenas um ano. Em relação à estimativa de julho, porém, não houve alteração: o IBGE manteve os números previstos para a safra baiana.
O desempenho deve ser sustentado principalmente pelas três culturas que hoje têm maior peso na produção agrícola do estado: soja, milho e algodão.
A soja continua disparada na liderança. A cultura deve responder por 67,4% de toda a produção baiana de grãos, com uma colheita estimada em 8,93 milhões de toneladas. Se confirmada, será uma nova marca histórica e representará crescimento de 3,8% sobre as 8,61 milhões de toneladas produzidas em 2025.
O milho também deve avançar. A primeira safra está estimada em 2,09 milhões de toneladas, alta de 8,1% em relação ao volume colhido no ano passado. O aumento previsto chega a 156 mil toneladas.
No algodão, a produção deve alcançar 1,85 milhão de toneladas, crescimento de 2,8% sobre 2025. O resultado mantém a Bahia como o segundo maior produtor nacional da fibra, com participação estimada em 20% da produção brasileira.
A liderança nacional permanece com Mato Grosso, que deve produzir 6,28 milhões de toneladas e responder por 69,2% do algodão brasileiro em 2026.
Bahia mantém espaço entre os grandes produtores
O novo recorde coloca a Bahia novamente entre os principais polos agrícolas do país. Pelas estimativas atuais, o estado deve permanecer na sétima posição entre os maiores produtores brasileiros de grãos, com 3,8% da safra nacional.
A produção brasileira, por sua vez, também deve atingir uma marca histórica. O IBGE estima 352,9 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, crescimento de 2% sobre o resultado de 2025, equivalente a 6,8 milhões de toneladas adicionais.
Mato Grosso aparece na liderança nacional, com 32,1% da produção prevista, seguido por Paraná, com 13,4%, e Rio Grande do Sul, com 10,5%.
Diferentemente da Bahia, que manteve sua estimativa, o número nacional apresentou uma pequena revisão para baixo em agosto, de 81,4 mil toneladas, ou 0,02%, em relação à projeção de julho.
Nem todas as culturas avançam
O cenário positivo dos grãos não se repete em toda a agricultura baiana. Considerando as 26 culturas acompanhadas sistematicamente pelo IBGE no estado, a previsão de agosto indica crescimento em 18 delas na comparação com 2025.
As maiores altas em volume continuam concentradas em soja, milho de primeira safra e algodão. Na outra ponta, três culturas devem registrar quedas mais expressivas.
A produção de cana-de-açúcar deve recuar 741,5 mil toneladas, redução de 11,9%. O milho de segunda safra aparece em seguida, com queda estimada de 92,4 mil toneladas (-11,5%), enquanto a mandioca deve produzir 34,1 mil toneladas a menos (-3,8%).
O quadro mostra que o recorde previsto para a agricultura baiana não representa crescimento generalizado de todas as culturas. O resultado é puxado principalmente pelas commodities que concentram maior escala e peso na produção de grãos do estado.
O QUE FICA DESSA HISTÓRIA
A nova projeção reforça uma característica que vem ganhando peso na economia baiana: o agro não apenas cresce em volume, mas amplia a presença da Bahia entre os grandes produtores nacionais de grãos.
Soja, milho e algodão concentram boa parte desse avanço e ajudam a sustentar uma cadeia que vai muito além da fazenda, envolvendo armazenagem, transporte, máquinas, insumos, processamento e exportações.
O próximo desafio é transformar sucessivos recordes de produção em mais valor agregado dentro do próprio estado. Quanto maior a safra, maior também a oportunidade de ampliar infraestrutura, processamento e industrialização das matérias-primas produzidas no Oeste e em outras regiões agrícolas da Bahia.






























