
Feira de Santana completa 193 anos nesta sexta-feira (18) com uma dimensão que ajuda a explicar por que a chamada Princesinha do Sertão ocupa um lugar particular na economia e na vida urbana da Bahia. O município, que já era um dos mais populosos do estado no século XIX, chegou a 663,4 mil habitantes em 2026 e mantém a posição de segunda maior cidade baiana, atrás apenas de Salvador.
A trajetória de crescimento é expressiva. No primeiro Censo Demográfico realizado no Brasil, em 1872, ainda durante o Império, Feira tinha 51.696 moradores e já aparecia como o quinto município mais populoso da Bahia.
Quase um século depois, em 1970, o município alcançou 187.290 habitantes e passou a ocupar a segunda posição no ranking estadual, posto que não perdeu desde então. Nas décadas seguintes, o crescimento ganhou velocidade: eram 291.506 moradores em 1980, 406.447 em 1991 e 480.949 em 2000.
Entre 2010 e 2022, a população avançou mais 10,7%, de 556.642 para 616.272 habitantes. A estimativa mais recente do IBGE coloca Feira em 663.408 moradores. O número faz da cidade a 10ª mais populosa do Nordeste e a 34ª do Brasil.
Uma cidade que funciona como região
O tamanho da população é apenas uma parte da dimensão de Feira. A cidade exerce uma influência que ultrapassa seus limites administrativos e se tornou o principal centro de uma das dez regiões geográficas intermediárias da Bahia.
Essa área reúne 83 municípios do Centro-Norte baiano, colocando Feira no centro de uma extensa rede de relações econômicas e urbanas.
O município também integra uma região metropolitana formada por 16 cidades, incluindo Feira. Entre os municípios mais populosos estão São Gonçalo dos Campos, Conceição do Jacuípe, Riachão do Jacuípe, Irará e Coração de Maria.
É uma configuração que ajuda a entender a importância de Feira para o interior: além de concentrar população, comércio e serviços, a cidade funciona como referência para moradores e empresas de uma área muito maior do que seu território.
Economia ganha peso
Esse papel regional também aparece nos números da economia. Em 2023, Feira de Santana registrou PIB de R$21,846 bilhões, o quarto maior entre os municípios baianos.
Ficou atrás de Salvador, com R$76,699 bilhões; Camaçari, com R$27,419 bilhões; e São Francisco do Conde, com R$26,506 bilhões.
A composição da economia revela ainda uma forte presença dos serviços. De cada R$ 10 gerados em Feira, aproximadamente R$ 6 vêm dos serviços privados, excluída a administração pública.
Em 2021, esse segmento apresentou valor adicionado de R$8,6 bilhões, reforçando a característica de Feira como um grande centro de comércio, serviços e circulação de mercadorias no interior baiano.
Uma população ainda relativamente jovem
Apesar do crescimento populacional, Feira ainda apresenta uma estrutura etária mais jovem que a média estadual.
Em 2022, havia 79.288 moradores com 60 anos ou mais, equivalentes a 12,9% da população. Na Bahia, essa parcela chegava a 15,2%.
Entre os 417 municípios baianos, Feira ocupava a 379ª posição em participação de idosos — ou seja, estava entre as cidades com menor proporção de população nessa faixa etária.
Outro traço demográfico chama atenção: as mulheres representam 53,4% da população, ou 329.253 pessoas. É a terceira maior participação feminina entre os municípios baianos, atrás de Salvador, com 54,4%, e Itabuna, com 53,5%.
A composição racial acompanha, em linhas gerais, o perfil da população baiana. Os pardos são maioria, com 53,6% dos moradores, seguidos por pretos, com 29,2%, e brancos, com 16,9%. Indígenas representam 0,2% e amarelos, 0,1%.
Tomba lidera entre os bairros
Dentro do município, a população também está distribuída de maneira bastante desigual. Feira possui 50 bairros, e cinco deles concentram os maiores contingentes populacionais.
O Tomba aparece na liderança, com 54.885 habitantes, seguido por Campo Limpo, com 43.175; Conceição, com 39.832; Mangabeira, com 28.350; e Gabriela, com 22.807.
Os números ajudam a dimensionar a escala urbana alcançada por Feira e mostram como o crescimento populacional se distribui por diferentes áreas da cidade.
Entre o Sertão e a Mata Atlântica
Até a geografia de Feira foge um pouco da imagem associada ao apelido de Princesinha do Sertão. Embora o município tenha presença da Caatinga, seu bioma predominante é a Mata Atlântica.
A posição geográfica e a história econômica, no entanto, ajudaram a consolidar a identidade de Feira como ponto de ligação entre diferentes partes da Bahia e como uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias do interior.
O QUE FICA DESSA HISTÓRIA
Aos 193 anos, Feira de Santana já não pode ser analisada apenas como a segunda maior cidade da Bahia. Seu tamanho populacional, sua economia e, principalmente, sua capacidade de influenciar dezenas de municípios fazem dela uma espécie de capital regional do interior baiano.
O desafio para os próximos anos é transformar essa escala em desenvolvimento urbano compatível com o tamanho que a cidade alcançou. Crescer para mais de 660 mil habitantes aumenta a demanda por infraestrutura, mobilidade, habitação, saneamento, educação e serviços e coloca Feira diante de uma nova etapa de sua história.
A Princesinha do Sertão cresceu. Agora precisa fazer com que o crescimento se converta em qualidade de vida e em uma economia cada vez mais capaz de irradiar desenvolvimento para toda a região.

































