
A agricultura baiana fechou 2025 com valor recorde de R$55,5 bilhões, alta nominal de 16,9% sobre os R$47,4 bilhões registrados em 2024. O avanço de R$8 bilhões foi puxado principalmente pela soja, pelo café canephora e pelo algodão, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo IBGE.
Foi o segundo crescimento anual consecutivo do valor da produção agrícola no estado e o maior dos últimos 31 anos, considerando a série iniciada em 1994, com o início do Plano Real.
A Bahia acompanhou o movimento nacional. O valor da produção agrícola brasileira aumentou 18,4% em 2025, passando de R$783,2 bilhões para o recorde de R$927,2 bilhões. Houve crescimento em 25 dos 27 estados. A Bahia manteve a 7ª maior produção agrícola do país em valor, embora sua participação no total nacional tenha recuado levemente, de 6,1% para 6%.
O avanço baiano, em termos absolutos, foi o sétimo maior do país. Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná lideraram os aumentos, enquanto Rio Grande do Sul e Pernambuco foram os únicos estados a registrar queda.
Soja continua no comando
A soja permanece como o principal produto da agricultura baiana. Em 2025, o valor gerado pela cultura chegou a R$16,5 bilhões, contra R$14,4 bilhões no ano anterior, uma alta de 14,7%.
A produção também avançou. Foram colhidas 8,6 milhões de toneladas, 12,2% acima das 7,7 milhões de toneladas de 2024. A Bahia manteve a sétima posição entre os maiores produtores brasileiros de soja em volume, respondendo por 5,2% da produção nacional.
A oleaginosa representa 29,8% de todo o valor gerado pela agricultura baiana, uma concentração que ajuda a explicar o impacto da safra sobre o resultado estadual.
O algodão ganhou espaço ainda maior no ranking. O valor da produção subiu de R$6,4 bilhões para R$7,9 bilhões, crescimento de 21,9%. Com isso, a cultura ultrapassou o cacau e passou a ocupar a segunda posição entre os produtos de maior valor da agricultura baiana, respondendo por 14,2% do total.
A quantidade produzida também cresceu: de 1,49 milhão para 1,83 milhão de toneladas, alta de 23,2%.
A Bahia manteve a segunda posição nacional na produção de algodão, atrás apenas de Mato Grosso. O estado respondeu por 17,4% do volume brasileiro e por 20,6% do valor gerado pela cotonicultura.
Entre os principais produtos, o destaque proporcional foi o café canephora. O valor da produção aumentou 85%, ou R$ 1,9 bilhão, no intervalo de um ano.
Dos 56 produtos investigados pela PAM na Bahia, 30 tiveram aumento de valor em 2025, 14 registraram queda, um ficou estável e 11 passaram a ser investigados pelo IBGE neste ano.
Grãos voltam a bater recorde
Os grãos continuam respondendo por mais da metade do valor da agricultura baiana. As 15 culturas que compõem o grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas geraram R$ 28,1 bilhões, equivalentes a 50,7% do valor total produzido no estado.
Depois da queda registrada entre 2023 e 2024, a produção de grãos voltou a crescer em 2025. Foram 13 milhões de toneladas, contra 11,6 milhões no ano anterior, alta de 12,8% e novo recorde.
O valor gerado pelo grupo aumentou 16,9%, de R$ 24,1 bilhões para R$ 28,1 bilhões.
Mesmo com o crescimento, a Bahia perdeu uma posição no ranking nacional do valor dos grãos e passou do sexto para o sétimo lugar, ultrapassada por Minas Gerais. A participação baiana no total brasileiro caiu de 5,6% para 5,3%.
Oeste baiano ganha ainda mais peso
O desempenho da agricultura baiana também aparece no ranking dos municípios. Entre os dez municípios brasileiros com maior valor de produção agrícola em 2025, dois estão na Bahia: São Desidério e Formosa do Rio Preto. Os demais estão concentrados no Centro-Oeste.
São Desidério manteve a segunda posição nacional, com valor de produção de R$8,2 bilhões, alta de 23,8% em relação aos R$6,6 bilhões de 2024.
O município foi o maior produtor de soja do país em 2025, com 2,36 milhões de toneladas, e o terceiro maior produtor brasileiro de algodão, com 700,5 mil toneladas.
Em Formosa do Rio Preto, o valor da produção chegou a R$5,9 bilhões, crescimento de 20,5%. O município avançou da sexta para a quinta posição nacional. Foi o terceiro maior produtor de soja do país e o nono de algodão.
Na soja, Formosa produziu 2,24 milhões de toneladas, enquanto o algodão alcançou 282 mil toneladas.
A força do Oeste também aparece em uma escala maior. A Bahia tinha seis municípios entre os 50 maiores valores de produção agrícola do país em 2025, empatada com Mato Grosso do Sul e atrás apenas de Mato Grosso, que sozinho tinha 25 municípios no grupo.
Além de São Desidério e Formosa do Rio Preto, aparecem no ranking baiano Barreiras, Correntina, Luís Eduardo Magalhães e Riachão das Neves.


































