Eduardo Pessoa é exonerado após gestão pífia e desastrosa na Agerba

Indicado pelas empresas de transportes e com respaldo de Otto Alencar, Eduardo Pessoa deixa o cargo de diretor-executivo após afundar a Agerba. A agência perdeu completamente a credibilidade no mercado de regulação e se tornou um verdadeiro cabide de emprego.

O advogado Eduardo Pessoa, ligado às empresas de transporte do sistema intermunicipal e ao senador Otto Alencar, foi exonerado pelo governador Rui Costa. O ato de exoneração era para ser publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do Estado. Nada foi divulgado ainda sobre os motivos que determinaram a demissão de Pessoa. Fontes consultadas nada quiseram dizer, o que ”aumenta a expectativa” do público do setor de transporte.

Se Eduardo Pessoa não fosse primo-irmão de Ricardo Pessoa, como ele mesmo disse, ninguém saberia quem era o cidadão exonerado agora da Agerba.  Já Ricardo Pessoa, o milionário,  é famoso no Brasil:  é aquele empreiteiro que apareceu no início da    Lava Jato. Estão ligados agora? É o dono da UTC  Engenharia, que derramava milhões em propinas, pagas a  políticos de vários cantos deste país, inclusive da Bahia.

Ricardo Pessoa esteve preso um bom tempo. Na Bahia,  através da UTC. ele tinha a concessão do Aeroporto de Feira de Santana e negócios no Estaleiro de Maragogipe, junto com a Odebrecht. Por ”coincidência”, o Aeroporto de Feira de Santana foi concedido à UTC pelo Governo da Bahia, através da Agerba. Mas a construtora UTC já se desfez  do negócio. Estava apertada, precisando de grana para se recapitalizar.

Passagem Pífia – O primo de Ricardo, o  Eduardo Pessoa,  teve uma passagem pífia à frente da agência de regulação do governo do Estado, a ”famosa” Agerba. Em sua gestão, o governo trouxe para operar o Sistema Ferry-boat a Internacional Marítima (Internacional Travessias, na Bahia) e foi só.  Uma empresa fraca e que tem infernizado a vida de milhares de pessoas que utilizam o ferry-boat. Apesar de ser um serviço público concedido, a Internacional opera sem qualquer fiscalização da Agerba  e faz o que quer: além dos serviços precários, outra marca da companhia é o sucateamento dos navios que não lhe pertencem, e sim ao Estado: alguns estão apodrecendo nos terminais.

A Internacional, como é do conhecimento público, é uma empresa ligada à tradicional família Sarney, do Maranhão. Seu proprietário, Luiz Castanhede era sócio de Jorge Murad, que foi casado com Roseana Sarney.  Quer saber mais sobre o dono da Internacional, alguns escândalos e como ele veio parar na Bahia? Clique AQUI.

Para ”azeitar” a Internacional, o Governo da Bahia comprou dois navios na Grécia. O curioso é que os navios foram adquiridos de um corretor, que tinha escritório em um salão de beleza de Lisboa. Não acredita? Então clique AQUI.

Eduardo Pessoa chegou à Agerba pelas mãos de empresários do sistema intermunicipal de transportes. Ele sempre teve fortes ligações com o setor e já foi inclusive advogado de algumas empresas que operam o sistema na Bahia. Apesar dessas ligações e da falta total de ética,  ele se aproximou do hoje senador Otto Alencar (na época Otto era secretário de Infraestrutura) e passou o segundo governo todo de Jaques Wagner e o primeiro todo de Rui Costa no comando da Agerba.

No Fundo do Poço – Algum resultado bom para a agência de regulação? Nenhum. A Agerba foi para o fundo do poço com Pessoa. Encolheu,  deixou de ser referência entre as agências de regulação do país.  Perdeu credibilidade e o sentido. Se transformou em um dos maiores cabides de emprego do Estado.  Tem até empresas terceirizadas atuando na sede da Agerba, prestando serviços à agência e ligadas a concessionárias.

Há um ano, Pessoa chegou a ficar na berlinda, sob acusação por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de exercer atividade incompatível com o cargo. Dentre as denúncias: advogar para empresas fiscalizadas por ele na Agerba, bem como ser proprietário da Antuérpia Consultoria, aberta dois meses antes do diretor executivo assumir a direção do órgão fiscalizador.

Na ocasião, os conselheiros do órgão decidiram por unanimidade que, “por conta da gravidade das denúncias de acumulação de cargo”, Eduardo Pessoa seria multado em R$ 19.747,82, e um ofício seria encaminhado para comunicar o governador Rui Costa sobre a denúncia.

Para a apuração das denúncias, o Tribunal de Contas solicitou à Secretaria Municipal da Fazenda cópia das notas fiscais emitidas pela Antuérpia Consultoria e, segundo a conselheira Carolina Costa, o material recebido apontou um recebimento de mais de R$ 500 mil pagos por empresas aéreas. “Emitidas por parte dessa empresa aberta pelo denunciado em nome de companhias aéreas como Azul e Trip no valor global de R$ 540.000,00, recebido enquanto o denunciado encontrava-se em exercício do cargo”, explicou a conselheira.

Notícias Relacionadas

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *