
Uma reportagem publicada nesta terça-feira (29) pelo PlatôBR, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel, apresenta um conjunto de mensagens, áudios, fotografias, documentos e comprovantes atribuídos a Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o PlatôBR, o material foi reunido durante uma disputa financeira entre os dois, iniciada após o fim da sociedade em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro, e inclui relatos sobre festas privadas, despesas pessoais pagas por pessoas próximas ao senador, presentes de alto valor e uma suposta atuação de Flávio em favor de interesses de um cliente junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme a reportagem, Santini teria organizado encontros privados com garotas de programa dos quais Flávio participava. O site afirma ter tido acesso a mensagens trocadas pelo ex-sócio com uma mulher responsável pela intermediação dos encontros, além de fotografias e outros registros. Parte desse material teria sido apresentada por Santini à mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, durante o período em que os dois estavam em conflito.
Ainda segundo o PlatôBR, o episódio provocou uma crise no casamento do senador. Em uma mensagem posterior enviada ao ex-sócio, reproduzida pela reportagem, Flávio afirma ter cometido “muitas escolhas erradas” e diz que não pretendia repetir os erros com a família.
O conflito entre os dois tinha também uma dimensão financeira. De acordo com o PlatôBR, Santini enviou, em setembro de 2023, uma notificação extrajudicial cobrando R$1,4 milhão de Flávio, alegando prejuízos relacionados ao encerramento da sociedade na chocolateria.
A reportagem afirma que Santini passou a utilizar o acervo de mensagens, documentos e outros registros como instrumento de pressão sobre o senador. O PlatôBR também relata que o escritório do advogado Willer Tomaz foi acionado para tratar de um possível acordo entre as partes.
Presentes de alto valor
Outro núcleo da reportagem envolve despesas e presentes de alto valor. Conforme o PlatôBR, documentos guardados por Santini indicariam que pessoas próximas a Flávio custearam despesas relacionadas à residência do senador em Brasília. Entre elas estariam equipamentos para uma academia, avaliados em mais de R$ 90 mil, além de outras despesas menores. O episódio de maior valor seria a compra de um Rolex Submariner Date de ouro branco por R$ 305 mil, em fevereiro de 2022. Segundo o PlatôBR, a nota fiscal foi emitida em nome do advogado Alan Belaciano, mas mensagens reunidas por Santini indicariam que o relógio foi comprado para Flávio.
A reportagem também descreve a existência de uma casa no Lago Sul, em Brasília, frequentada por pessoas próximas a Flávio e utilizada, segundo o PlatôBR, como ponto de articulação de interesses junto ao governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro. Um dos personagens citados é justamente Alan Belaciano. O site afirma que pessoas ligadas ao grupo mantinham contatos com empresários, advogados e interessados em resolver questões em órgãos da administração federal.
O ponto mais sensível da reportagem aparece no episódio envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Conforme o PlatôBR, Santini enviou a Flávio, no fim de 2023, uma mensagem na qual afirmava que o senador havia tratado diretamente com Kassio sobre os interesses de um cliente de Belaciano em um processo no gabinete do ministro. A mensagem também mencionava um jantar que teria sido marcado para discutir o assunto. Segundo o PlatôBR, após receber a mensagem, Flávio respondeu prontamente propondo uma reunião com Santini em seu gabinete. O conteúdo da conversa entre os dois não foi revelado.
O material publicado pelo PlatôBR tem como origem um personagem que mantinha relação pessoal e empresarial estreita com Flávio Bolsonaro e que posteriormente entrou em uma disputa financeira com o senador. A própria reportagem registra que Santini chegou a cobrar R$ 1,4 milhão e a ameaçar divulgar informações que mantinha em seu poder. Em declarações anteriores citadas pelo PlatôBR, Flávio classificou as acusações do ex-sócio como “infundadas”.
A reportagem publicada nesta terça-feira não apresenta, até o momento, uma resposta específica de Flávio ou de sua campanha para todos os novos pontos revelados.








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