O trabalho de Cristina Buarque se tornou referência para novas gerações de intérpretes da música brasileira – Foto: Reprodução/Redes Sociais.
Faleceu neste domingo (20) a cantora e compositora Cristina Buarque, filha do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da intelectual e pianista Maria Amélia Buarque de Hollanda. A informação foi confirmada pelo filho da artista, Zeca Ferreira, nas redes sociais. A artista, que enfrentava um câncer, era irmã de Chico Buarque, Miúcha e Ana de Hollanda e passou os últimos anos morando na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro.
“Uma cantora avessa aos holofotes. Como explicar um negócio desses em qualquer tempo? Mas como explicar isso nesse tempo específico? Mas foi isso a vida inteirinha dessa mulher que tivemos, nós 5, a sorte grande de ter como mãe. Uma vida inteira de amor pelo ofício e pela boa sombra.
“Bom mesmo é o coro”, ela dizia, e viveria mesmo feliz a vida escondidinha no meio das vozes não fosse esse faro tão apurado, o amor por revirar as sombras da música brasileira em busca de pequenas pérolas não tocadas pelo sucesso, porque o sucesso, naqueles e nesses tempos, tem um alcance curto. É imagem bonita e nítida mas desfoca as outras belezas que se perderiam na sombra não fossem essas pessoas imunes ao imediato. Ser humano mais íntegro que eu já conheci. Farol, chefia, braba, a dona da porra toda. Vai em paz, mãe”, escreveu Zeca.
O trabalho de Cristina Buarque se tornou referência para novas gerações de intérpretes da música brasileira. A cantora Marisa Monte conheceu o samba Esta melodia, de Bubu da Portela e Jamelão, por meio do disco Prato e faca (1976), e o regravou quase duas décadas depois. Mônica Salmaso é outro nome que reconheceu em Cristina um farol artístico.
Cristina lançou álbuns marcantes como Arrebém (1978), Vejo amanhecer (1980), Cristina (1981) e Resgate (1994), todos guiados pela mesma curadoria sensível e respeitosa ao universo do samba. Em 1995, ao lado do cavaquinista Henrique Cazes, gravou um disco dedicado à obra de Noel Rosa, assumindo pela primeira vez o nome artístico completo de Cristina Buarque.
Para os bambas do samba, ela sempre foi um nome maior. Não pelo volume da voz, mas pela imensidão do repertório, do afeto e da entrega. Uma pescadora de pérolas do samba que parte deixando luz para os que ficam.
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