O “projeto” da Ponte Salvador-Itaparica que Jaques Wagner apresentou em 2008 se resumia em uma velha foto já granulada pelo tempo. O poster, dos anos 90, era da Construtora Odebrecht e foi encontrado nos arquivos da extinta Companhia de Navegação Baiana. (Foto: Arquivo/Jornal da Mídia)
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA
A ponte Salvador-Ilha de Itaparica está entre as várias promessas não cumpridas pelo ex-governador Rui Costa em seu segundo mandato. A ponte, que foi prometida inicialmente pelo antecessor de Rui, o hoje senador Jaques Wagner desde 2008, não saiu do papel nos 16 anos do governo petista na Bahia.
Após o fim do segundo mandato à frente do governo da Bahia, Rui Costa cumpriu somente 63 das 144 promessas feitas durante a campanha eleitoral, em 2018, o que corresponde a 43,75% do total. Menos da metade do que prometeu, portanto. Além disso, o ex-governador do estado viabilizou parcialmente 35 promessas, o equivalente a 24,30%, segundo levantamento realizado pelo Portal G1 e divulgado nesta quarta-feira (4).
A promessa de construção da Ponte Salvador-Itaparica foi muito utilizada tanto por Wagner como por Rui Costa em suas campanhas ao Governo do Estado. E muito repetida em 2022 pelo governador eleito, Jerônimo Rodrigues, também do PT. A ponte se transformou em uma verdadeira máquina de votos nas cinco últimas eleições vencidas pelo PT na Bahia.
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Desde 2009, este JORNAL DA MÍDIA já publicou dezenas de matérias sobre o tema Ponte Salvador-Itaparica. Em 28/11/2013, o JM destacou: “Prometida por Wagner para 2013, ponte Salvador-Itaparica não saiu do papel – Clique aqui e leia”. No texto, ilustrado com uma imagem do jornal “Bahia de Negócios”, do jornalista Geraldo Vilalva, o JM sustentou:
“Se a promessa de campanha do governador Jaques Wagner (PT), em 2008, tivesse sido cumprida, a ponte Salvador-Ilha de Itaparica, com 14 quilômetros de extensão, seria inaugurada pelo governo da Bahia até o final de dezembro de 2013. Isto mesmo: no Verão 2013-2014 os baianos estariam, enfim, livres dos transtornos do sistema ferryboat e poderiam morar na ilha, desfrutar de suas belas praias ou viajarem com tranquilidade para cidades do Sul e Oeste da Bahia”.
Depois de completamente sucateado, o Ferry-boat Agenor Gordilho foi para o fundo do mar. Foi o destino decretado pelo governo. O secretário de Turismo da Bahia, Fausto Fraco, ainda comemou: “É um grande marco o afundamento”.
Wagner “inaugurou” a ponte em 2013
O prazo para a inauguração da ponte anunciado por Jaques Wagner, dezembro de 2013, foi divulgado pelo ex-governador no início da campanha do seu segundo mandato. No dia 24 de março de 2009, o governador entregou ao então presidente Lula um pré-projeto da ponte que ligaria Salvador à Ilha de Itaparica. O investimento previsto seria da ordem de R$ 2,5 bilhões.
Hoje, o Governo da Bahia diz que o projeto terá um custo de R$ 7 bilhões.
E disse mais a reportagem do JORNAL DA MÍDIA de 21/11/2013:
No “ritmo” que as “obras” da ponte está, é possível que o PT eleja mais uns 4 governadores às custas da ponte e que baianos, principalmente os soteropolitanos, nunca desfrutem do eterno sonho. A Ilha é ali. Mas, só no convés de navios sucateados. Ou, nos “novos” que vêm aí, superfaturados, segundo as denúncias.
Começou: Jerônimo busca ferry no exterior
Incrível: mesmo antes de tomar posse, o governador Jerônimo Rodrigues anunciou que vai ao mercado internacional “alugar” ou até mesmo “comprar” navios para tentar amenizar um pouco a situação do caótico e sucateadíssimo Sistema Ferry-boat.
O que Jerônimo pretende fazer agora, é o mesmo que Jaques Wagner fez em 2013. Foi a Portugal e touxe dois navios, pagos com o dinheiro público, pois a empresa que Wagner e Otto Alencar foram buscar no Maramhão para a Bahia, a Internacional Travessias, é um desastre em todos os aspectos.
Completamente sucateado, o Sistema Ferry-boat hoje é uma tragédia anunciada. Com apenas 3 ou quatro navios enferrujados operando (tem dia que só tem dois), a decadência é total. Para se ter ideia, no ano 2000, a frota do sistema era de oito embarcações. Vinte e três anos depois, não tem nem a metade. E a população de Salvador e da Ilha de Itaparica mais que dobrou.
A população sofre diariamente com os péssimos serviços do ferry. São terminais abandonados, embarcações imundas e filas quilométricas. E não tem para quem apelar diante da cumplicidade do governo. A população stá entregue à sua própria sorte. Nem o Ministério Público da Bahia se manifesta sobre o caos do Sistema Ferry-boat.
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