
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA
O governo da Bahia comemorou muito o afundamento do ferry-boat Agenor Gordilho na Baía de Todos-os-Santos na manhã do último sábado (21) por volta das 12h22. Pelo menos foi o isto que deixou claro em suas entrevistas o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco.
A submersão da embarcação durou cerca de dois minutos, nas imediações do Yacht Clube da Bahia, chegando a uma profundidade de 36 metros.Também foi afundado na baía o rebocador Vega.
“Este é um grande marco, pois é a primeira vez na história do Brasil que há um afundamento de um ferry-boat desta magnitude. Nós temos a Baía de Todos-os-Santos, que é esse privilégio, com águas quentes o ano inteiro, dentro da cidade, e que não é explorado na sua intensidade. O turismo subaquático existe no mundo inteiro. Normalmente, as pessoas ficam mais dias na cidade que o de costume, gerando emprego e renda. Nós, que temos tantas diversidades e somos tão privilegiados, agora criamos um outro tentáculo, chancelando essa perspectiva de turismo subaquático”, disse.
Sucateamento total
Um parêntese, secretário: este ferry-boat afundado agora nesse evento organizado pela Secretaria de Turismo foi para o fundo do mar por conta do sucateamento da frota do Sistema Ferry-boat. Sucateamento com a participação total do Governo da Bahia, é bom que fique claro. O governo nunca cumpre o seu papel de fiscalizar o serviço público concedido.
Se a estratégia é essa, “sucatear para depois afundar”, tudo bem. Mas nunca a receita do ”turismo subaquático” vai compensar o prejuízo que está sendo causado ao patrimônio público e à população da Ilha de Itaparica, principalmente, e aos usuários da travessia Salvador-Bom Despacho, no geral. O sucateamento da frota tem causado enormes prejuízos à população, cada vez mais sacrificada por um serviço de baixa qualidade.
O Sistema Ferry-boat se transformou em uma verdadeira sucata desde o início do governo do PT de Jaques Wagner. E o governador Rui Costa não está nem aí: Rui Costa quer é a ponte Salvador-Itaparica.
Pelo visto, o secretário de Turismo da Bahia vai comemorar em breve outros afundamentos de navios. Todas as embarcações da frota estão em estado lastimável de manutenção, inclusive os dois mais recentes, o “Zumbi dos Palmares” e o “Dorival Caymmi”, comprados pelo governo da Bahia no salão de beleza de Dona Milu, em Lisboa, Portugal. Superfaturados, diga-se, segundo denunciou o Tribunal de Contas do Estado, o TCE.
Assista ao vídeo abaixo e confira o endereço onde o Governo da Bahia comprou os dois navios.
Comprados com dinheiro público e entregues à Internacional Marítima, que na Bahia é “Internacional Travesssias”, empresa sempre muito ligada à família do ex-senador José Sarney. Concessionária fraca fraca que não investiu nada, absolutamente nada, na melhoria dos serviços da travessia Salvador-Ilha de Itaparica. Empresa que aportou na Bahia com Jaques Wagner e Otto Alencar.
O Sistema Ferry-boat dá até pena. O secretário de Turismo parece que em nenhum momento acompanhou essa história do ferry-boat, que diariamente é divugada por alguns órgãos de imprensa O secretário comemora o sucateamento e afundamento proporcionados também pelo governo do qual ele faz parte?
>>>Leia também: Depois de sucateado por falta de fiscalização do governo, ferry Agenor Gordilho vai para o fundo do mar. Clique AQUI.
Secretário de turismo diz: “É uma grande marco o afundamento”
Segundo divulgação do Governo da Bahia, esta é a primeira vez que uma embarcação do tipo é afundada de forma proposital e com finalidade turística, como destacou o secretário do Turismo do Estado, Fausto Franco. “Este é um grande marco, pois é a primeira vez na história do Brasil que há um afundamento de um ferry-boat desta magnitude. Nós temos a Baía de Todos-os-Santos, que é esse privilégio, com águas quentes o ano inteiro, dentro da cidade, e que não é explorado na sua intensidade. O turismo subaquático existe no mundo inteiro. Normalmente, as pessoas ficam mais dias na cidade que o de costume, gerando emprego e renda. Nós, que temos tantas diversidades e somos tão privilegiados, agora criamos um outro tentáculo, chancelando essa perspectiva de turismo subaquático”, disse.
Com 71 metros de comprimento e 19 metros de altura, o Agenor Gordilho fez a viagem inaugural no Sistema Ferry Boat no dia 5 de dezembro de 1972. A embarcação realizou a travessia Salvador-Itaparica durante 45 anos, até o fim de 2017. “Hoje é um dia de grande emoção para a Bahia e para nossa família. Vovô era um empresário, um visionário, um homem fantástico. Ele deu nome ao primeiro ferry-boat, que agora está se eternizando no fundo do mar. Meu avô está se eternizando num momento em que estamos alavancando um projeto de turismo no estado da Bahia”, afirmou Claudia Gordilho.
Notócia relacionada:
Empresa que vendeu navios por R$ 56 milhões ao governo da Bahia funciona em um salão de beleza
Até 15 de abril de 2014 a Happy Frontier, que tem sede em um salão de beleza em Portugal, tinha por objeto o “comércio por grosso de eletrodomésticos e afins, mobiliário e outros bens e equipamentos para o lar”. A empresa venceu a licitação e faturou R$ 20 milhões com o negócio da China que teria feito com o Governo da Bahia.
Quem descobriu esta verdadeira bomba foi o jornalista baiano Fernando Conceição, conhecido pela prática do jornalismo que investiga, que apura e que não é chapa branca. Em seu blog, Conceição estampa fotos e até um vídeo da Happy Frontier”, que teria faturado cerca de R$ 20 milhões com o negócio que fechou com o governo baiano.Em entrevista ao JORNAL D MÍDIA, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Pedro Lino, afirmou a existência de fortíssimos indícios de fraude, estelionato e crime de comércio internacional na transação. “A Happy Frontier vendeu o que não era dela (os dois barcos) ao Governo da Bahia”, sustentou Lino.
Na ampla e detalhada reportagem que publicou em seu blog, Fernando Conceição conta que a Happy Frontier foi constituída em 2008 com capital de € 15.000,00, dividido igualmente por dois sócios iniciais: João Carlos Palmeirão de Melo, o que fez o negócio com os baianos, e Hélder José Nunes Barata.
Até 15 de abril de 2014 a Happy Frontier tinha por objeto o “comércio por grosso de eletrodomésticos e afins, mobiliário e outros bens e equipamentos para o lar”, de acordo com registro escritural obtido por este repórter junto ao Instituto dos Registros e do Notariado do Ministério da Justiça de Portugal”, informa o jornalista Fernando Conceição.
”Ou seja, cinco meses depois de ter vencido a licitação, coordenada pelo senador eleito Otto Alencar (PSD), que acumulava os cargos de vice-governador e de secretário de Infraestrutura do Estado, a Happy Frontier fez a adequação estatutária. Que deveria ser pré-requisito para se habilitar ao pregão no dia 6 de novembro do ano passado”, acrescenta.
Conceição informa ainda que a reportagem que publicou hoje é a primeira de uma série de artigos a ser publicada próximos dias, ”como resultado do trabalho jornalístico feito pelo autor deste blog. Que se encontra em atividades acadêmicas na Universidade de Coimbra. É uma contribuição, como jornalista e professor de Jornalismo, à sociedade”.
































