
O ferry-boat Agenor Gordilho deixou de navegar na Baía de Todos os Santos e vai para o fundo do mar. Em 1987, foi transformado em dose-dupla, ganhando mais um convés para veículos. Prestou grandes serviços desde a implantação do Sistema Ferry-boat pelo então governador Luiz Viana Filho. Mas, gestões desastrosas do Sistema Ferry-Boat, como a da TWB, e também a atual, que tem à frente a Internacional Marítima, hoje Internacional Travessias, sucatearam os navios da frota, todos do patrimônio público.
O sucateamento continua a todo vapor, porque o Governo do Estado é um péssimo agente fiscalizador. Nem de longe cumpre o seu papel de fiscalizar e regular o serviço público que concede a verdadeiros aventureiros da iniciativa privada. O estado atual de abandono das embarcações que ainda operam na travessia entre Salvador e Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, é uma marca da falta de compromisso do governo para com um sistema de transporte essencial, como é o ferry-boat.
O sucateamento da frota de navios do Sistema Ferry-boat é hitórico e ganhou grande impulso desde que o Governo da Bahia concedeu o serviço a verdadeiros aventureiros da iniciativa privada. O servicinho segue cada dia pior.
O servicinho é precário, de baixíssima qualidade. A bagunça operacional é generalizada. Tem dias que só dois navios estão em tráfego. Se arrastam no mar. O tempo médio da viagem, que era de 40 minutos, passou para uma hora e meia. E o governo protegendo, protegendo, negligenciando, porque em breve pretende afundar outros ferries. É o dinheiro público jogado no esgoto.
No próximo dia 19, às 12h30, o ferryboat Agenor Gordilho será afundado na Baía de Todos-os-Santos, encerrando sua participação na travessia que durou mais de 45 anos. Com vida útil estimada em 30 anos, o Agenor Gordilho superou essa expectativa e assume nova função: será transformado num recife de corais artificial e habitat de seres marinhos nas profundezas da baía.
O Agenor Grdilho e o Juracy Magalhães Jr. foram os dois primeiros ferries que operaram na travessia Salvador-Bom Despacho. Em 1987, as duas embarcações tiveram sua capacidade de transporte de veículos duplicada com a instalação de mais um convés de veículos. Ficaram conhecidos como os ferries “dose dupla”. Na prática, a idéia brilhante dos dose-dupla, do empresário Wilson Andrade, então presidente da estatal Companhia de Navegação Bahiana, representou, na época, a incorporação de dois navios à frota do Sistema Ferry-boat.
Naufrágio Controlado
Sobre o “naufrágio controlado” do “Agenor Gordilho”, nota do Governo da Bahia diz que é ”uma das estratégias” da Secretaria do Turismo do Estado (Setur) para “dinamizar o turismo náutico na Baía de Todos-os-Santos”. Nesta quinta-feira, 3, a Marinha fez a última vistoria na embarcação, verificando se todas as peças, óleos e combustíveis foram removidos para atender às especificações ambientais.






























