
Moradora do Subúrbio Ferroviário, a produtora de eventos Neusinea Maciel Miranda, 25 anos, conta que sempre quando passava pela praça do Campo Grande, no Centro, olhava para o Monumento ao Dois de Julho com a curiosidade de conhecer de pertinho o caboclo que se encontra no topo do conjunto. “Tenho reverência pelo que ele representa para mim, até por ser uma das entidades do terreiro de candomblé onde frequento lá na região do Parque São Bartolomeu”, disse.
O que parecia inviável se tornou realidade. Nesta quinta-feira (27), Neusinea e mais três selecionados do concurso cultural “Aos pés do caboclo” tiveram a chance de escalar o monumento para conhecer de perto cada detalhe histórico e arquitetônico da obra. Até chegar ao topo da estrutura, não teve quem resistisse à tentação de tirar selfies, fotos panorâmicas e de até poder tocar nas esculturas.
Foi o caso do professor de teatro Rafael Morais, 41, que é natural de Ilhéus, mas mora em Salvador há duas décadas. “Nunca imaginei que iria tocar no caboclo. É um personagem que representa a liberdade e a miscigenação do povo brasileiro. Óbvio que não poderia deixar de aproveitar a oportunidade e fazer meu pedido para ele”, revelou.
A visitação foi conduzida pelo professor-restaurador José Dirson, responsável pelos trabalhos de requalificação da estrutura – o serviço está em andamento desde abril passado. O Monumento ao Dois de Julho mede 25,86 metros de altura e é composto por uma coluna de bronze assentada sobre um pedestal de mármore carrara. De cima a baixo, é possível apreciar símbolos de batalhas, inscrições, nomes dos heróis da Independência e esculturas de leões, de águias e até de figuras humanas, como a de uma mulher representando a Bahia e outra, Catharina Paraguaçu.
Restauro em andamento – Quem passa pela Praça do Campo Grande hoje vê o Monumento ao Dois de Julho cercado por tablados e por um andaime. Isso porque a Prefeitura realiza no local o restauro da obra, que será concluído em setembro. A última ação do tipo ocorreu entre 2002 e 2003.
A intervenção, entretanto, não vai impactar na realização dos festejos do Dois de Julho, já que parte do cercado será removido para o ato simbólico de hasteamento das bandeiras do Brasil, Bahia e Salvador, e colocação de coroas de flores no monumento pelas autoridades.
Boa parte do piso de mármore que contorna o monumento já foi trocado, assim também como já é possível notar limpeza em algumas peças e pinturas do gradil.
































