CLÁUDIO HUMBERTO
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O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), conversou com esta Coluna e falou a respeito da atual postura da oposição, sobre a inversão de papéis entre PT e PSDB e a onda da criação de novos partidos políticos, após a iniciativa de Gilberto Kassab em fundar o PSD. Leia a entrevista exclusiva concedida nesta quinta (31):
Como é a política de esquerda que o PPS tem praticado e à qual o senhor se refere?
O que o PPS vem falando é de uma nova formação política, da ideia da construção de um novo partido ou de um movimento que integre toda a esquerda democrática brasileira, que é mais ou menos difusa nos vários partidos e que se concentra no PPS. Para muitos a democracia – e estamos vendo aí um pouco da prática do próprio PT – é uma questão meramente tática, não um objetivo fundamental, não é algo que se associe à ideia de uma sociedade mais justa, mais igualitária, a um ideal socialista. Portanto, essa talvez seja a grande diferença que a gente coloca de ser um movimento de esquerda oriundo do Partido Comunista Brasileiro e que se associou à ideia do valor universal da democracia.
O senhor acredita que a esquerda de seu partido é diferente da exercida pelo PT quando oposição?
Eu diria que, utilizando o que Lula falou, que (o PT) fazia uma oposição de bravata e irresponsável, nós éramos exatamente o contrário: sempre fomos responsáveis, votamos os fundos que o governo FHC propôs na área da educação, votamos a favor de algumas das privatizações desde o governo Itamar, quando vieram as privatizações do setor siderúrgico. Atualmente, de vez em quando, a gente vota com o governo, não há uma decisão de oposição sistemática, votando contra tudo o que vem de lá (do Palácio do Planalto), embora a grande maioria do que vem de lá mereça ser reprovada.
Como o senhor avalia a oposição exercida pelo PSDB hoje em dia?
A oposição feita pelo PSDB hoje segue o estilo que o partido tem. Eles são até responsáveis demais. Vamos esclarecer isso. Eles, nas suas dúvidas permanentes – e é bom que se tenha dúvida, ninguém deve ter certezas absolutas em campo algum – têm grande dificuldade em assumir uma postura oposicionista mais contundente. Existem algumas lideranças que o fazem, e fazem bem – e eu acredito que o PSDB cumpre com o seu papel – mas talvez algumas malfeitorias do governo Lula/Dilma sejam de tal ordem que a sociedade fica clamando por uma contundência maior do maior partido de oposição brasileira.
A criação do PSD e do novo partido de Marina Silva criou um novo precedente?
Temos visto de forma recorrente a criação de novos partidos. Depois que o PSD foi criado, vieram uns três ou quatro e ainda vem, muito provavelmente, o que a Marina Silva está articulando. Isso demonstra uma certa fragilidade dos partidos políticos brasileiros e, quem sabe, a necessidade de uma reforma política democrática. Então, não tem precedente, mas um direito da cidadania. Nós precisamos é liberar mais ainda. Deixar de exigir, por exemplo, que tenha um ano de filiação para se lançar candidato. Mas no Brasil é assim: as pessoas acham que podem limitar o número de partidos e restringir a liberdade da cidadania. O que nós precisamos discutir é uma reforma eleitoral e partidária que possa ajustar o sistema.
Sobre a corrida pelas lideranças, o PPS já definiu quem serão seus líderes na Câmara e no Senado?
Na Câmara, já está definido: o líder será o deputado federal Rubens Bueno, do Paraná. No Senado, a gente perdeu o senador que tinha sido eleito, o grande brasileiro Itamar Franco. (Coluna de Cláudio Humberto)































