LUÍS AUGUSTO GOMES
Uma eleição não determina necessariamente o resultado da seguinte, mas sempre produz o início de arrumação das forças para a próxima disputa pelo poder. É o que se nota no pleito municipal deste ano na Bahia, que emite fortes sinais sobre as possibilidades para 2014.
A primeira grande modificação é a pré-união das oposições, pois a agregação do PMDB à chapa de ACM Neto (DEM) em Salvador significa que esses partidos, mais o PSDB, marcharão juntos na sucessão do governador Jaques Wagner.
O que foi impossível em 2012, por excesso múltiplo de vaidade e sede de poder, se impõe agora como condição de sobrevivência. O PMDB sabe que a Prefeitura de Salvador seria o embrião de uma sólida aliança que poderá recompensá-lo mais adiante na partilha dos interesses.
Ao contrário, a queda desse maná no colo do PT representaria o passo mais importante dado pelo partido para consolidação daquilo que seus adversários mais temem, e se traduz por uma só palavra: hegemonia.
Os números de domingo são incontestáveis: DEM, PMDB e PSDB tiveram perdas catastróficas isoladamente – e juntos saíram de cerca 190 para 60 prefeituras, uma redução próxima de 70%. Ou cuidam de recuperar o denso prejuízo ou tendem à insignificância.
Qualquer espaço será tomado pelo PSD – Poder-se-ia dizer que isso jamais acontecerá, porque sempre haverá espaço para a oposição numa sociedade democrática, por mais forte que seja o governo. É verdade. Mas em política não existe vazio, que é logo ocupado, e nesse caso não pode passar despercebido o crescimento do PSD e a desenvoltura do seu líder, vice-governador Otto Alencar.
Por enquanto, o único aval de que a robusta caçulinha das legendas fechará com o PT em 2014 é a ligação pessoal entre Wagner e Otto, que dizem ser excelente, com muitos momentos de “olho no olho”. Daí para baixo, especialmente nas mais amplas capilaridades das duas forças, é problemático.
Sabemos que tanto PT como PSD adquiriram a inchação que hoje ostentam, respectivamente, com base no exercício do poder e na expectativa de exercê-lo. Suas bases, em grande parte, são as mesmas que antes engrossavam o caldo do DEM e similares acima citados. São aliados antagônicos, e cada um não vê a hora de avançar mais na máquina.
Na fila, Lídice depende do PSB nacional – O PSB corre por fora nesse processo. A senadora Lídice da Mata poderia ser candidata do grupo governista, a depender dos indicadores na época, mas muitos petistas têm precedência, como o senador Walter Pinheiro e os secretários Rui Costa e José Sérgio Gabrielli.
O grande balizador de seu posicionamento será o quadro nacional. Se o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que saboreia vitórias importantes, continuar aliado ao PT, ela tende a sair de cena. Caso vá disputar a presidência, a candidatura de Lídice se imporá na Bahia. (Por Escrito)

































Êita! Até que enfim um texto sequinho, lúcido, sem paixões bobas, sem argumentos de torcedor de time de futebol. Dentre tudo o que certeiro:
“Os números de domingo são incontestáveis: DEM, PMDB e PSDB tiveram perdas catastróficas isoladamente – e juntos saíram de cerca 190 para 60 prefeituras, uma redução próxima de 70%. Ou cuidam de recuperar o denso prejuízo ou tendem à insignificância.”
E tome! Que tome!