Pedro Peduzzi
Enviado Especial
Belo Horizonte (MG) – As eleições municipais para a prefeitura de Belo Horizonte (BH) terão grande influência para o cenário das eleições presidenciais, na opinião do cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, a existência de “candidatos virtuais” à Presidência da República envolvidos com a disputa local “mostra claramente a importância que a cidade tem para o cenário de 2014″.
“Sem dúvida, o que está acontecendo aqui em Belo Horizonte já é um termômetro das eleições majoritárias”, disse Reis à Agência Brasil. “Ainda é difícil mensurar o peso desta influência, mas é notório que há atores que são claramente candidatos virtuais, como o senador Aécio Neves, por enquanto o candidato mais óbvio, e a presidenta Dilma Rousseff. Isso mostra a importância das eleições municipais para o cenário nacional. Certamente a eleição presidencial também está sendo jogada na municipal”, disse o cientista político.
A presidenta Dilma Rousseff teve uma participação ativa na campanha do petista Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma participou de seu programa eleitoral e, na última quarta-feira, do último comício realizado pelo petista. Já o senador Aécio Neves apoiou de perto o candidato do PSB à prefeitura da capital mineira Marcio Lacerda.
A avaliação do cientista político não é totalmente corroborada por parte dos sete candidatos que concorrem à prefeitura no pleito de domingo (7). “Dizer que estas eleições estão nacionalizadas é um exagero. Claro que causará reflexos na carreira política dos candidatos e na vida dos partidos. Mas é uma eleição municipal. Por isso não vamos discuti-la no âmbito nacional”, disse o candidato do PSB, Márcio Lacerda.
“Estamos fazendo uma campanha belo-horizontina. Claro que a cidade tem peso de grande dimensão para a política nacional, mas meu empenho está voltado às soluções necessárias para os problemas da nossa cidade, e 2014 será vivido no momento devido”, disse Patrus Ananias.
Para o professor Fábio Reis, as eleições para a capital mineira tem outra particularidade. “Aqui, tucanos e petistas são mais próximos do que no resto do país. Nesse cenário, o PSB de Márcio Lacerda tem emergido de forma significativa”, disse.
“O próprio Lacerda foi eleito para a prefeitura com o apoio de parte do PT e do PSDB. Por isso não haverá tantas diferenças caso um ou o outro ganhe. Há um compartilhamento de ideias e de perspectivas sociais comuns aos dois, assim como não há indisposição entre o Aécio e o ex-presidente Lula. Isso para não dizer que há, entre eles, uma certa proximidade”, argumentou o cientista político.
Além de Lacerda e Ananias, participam das eleições municipais outros cinco candidatos: Alfredo Flister (PHS), Maria da Consolação (PSOL), Vanessa Portugal (PSTU), Pedro Paulo Pepê (PCO) e Tadeu Martins (PPL).
“As eleições representam uma oportunidade para que passemos, diretamente à população, informações que nunca são abordadas pela grande mídia, na tentativa de formarmos senso crítico para o embate cotidiano para a luta de classes”, disse à Agência Brasil, o candidato do PCO, Pedro Paulo Pepê. “A conotação de nossa candidatura é mais ideológica do que eleitoreira, até porque o processo eleitoral já tem as cartas marcadas, na qual a imprensa burguesa, sob domínio das grandes oligarquias, propagandeia determinadas candidaturas”, acrescentou.
Para a candidata do PSTU, Vanessa Portugal, o objetivo maior da campanha “é discutir um projeto” para a cidade. “O problema aqui em BH é que parte das outras candidaturas apresentam um mesmo projeto: redução do Estado, no que se refere ao atendimento das necessidades básicas da população, e transferência desses recursos, em grande escala, para a iniciativa privada, por meio de terceirizações”, argumentou a candidata.
O candidato do PHS, Alfredo Flister defende um “enxugamento da máquina pública”. “A máquina já está inchada e precisa ser enxugada. Pelo menos 50% dos cargos de confiança precisam ser eliminados para que a prefeitura tenha mais caixa”, disse Flister que defende que os cargos públicos sejam ocupados exclusivamente por servidores concursados.
Já a candidata pelo PSOL, Maria da Consolação denuncia desperdício de dinheiro público com obras paradas e defende o financiamento público de campanha, um dos pontos da chamada reforma política, ainda sem aprovação no Congresso. “É por aí [obras paradas] que grande parte da receita da prefeitura de BH é desperdiçada”, disse à Agência Brasil. “Também aproveitamos a campanha para manifestarmos nossa posição a favor do financiamento público de campanha”, disse. “Este [obras paradas] é o início do problema. No final, somos nós que vamos pagar as contas mesmo, já que as campanhas acabam sendo financiadas pelo dinheiro público”, acrescentou.






























