Marcos Chagas
Agência Brasil
Brasília – Os prefeitos que forem eleitos em municípios acrianos como Rio Branco, Capixaba, Assis Brasil e Brasileia terão um desafio comum pela frente que é realizar ou concluir obras de saneamento básico. Na capital, por exemplo, bairros de comunidades mais carentes, como Taquari, têm pronta a instalação da rede de água, mas ainda está inoperante.
Esgoto nesse bairro de Rio Branco, cidade com 319.825 habitantes segundo o senso de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não existe. “Em todo o canto chega água tratada e, para nós, nada”, diz a moradora de Taquari, Maria das Dores de Santana, do lar, 67 anos.
Em Capixaba, município à margem da Estrada do Pacífico, distante 90 quilômetros de Rio Branco, a rede de esgoto também inexiste. O comerciante Alberto Nunes Cardoso, 54 anos, disse que as obras de construção começaram a ser instaladas agora.
Sem o esgoto, resta aos moradores construírem as chamadas “fossas negras”, buracos feitos na terra para depósito dos dejetos. O município, que tem 77.323 habitantes, possui rede de água instalada, no entanto, o comerciante disse que só quem a utiliza são pessoas que não tem poço artesanal em casa.
Marinelza do Nascimento Pereira, do lar, 31 anos e moradora de Assis Brasil, é outra que reclama da precariedade dos serviços de saneamento básico de sua cidade. A rede de água, segundo ela, só tem um cano de fornecimento para as residências do município de 6 mil habitantes. Marinelza destacou que uma empresa está na cidade para tentar resolver o problema.
“A água distribuída é suja e não sei como bebem”, disse a moradora de Assis Brasil. A reportagem constatou que vários moradores da cidade, como o comerciante Júnior de Melo Souza, 45 anos, recorre ao uso de pastilhas de hipoclorito para tratar a água recebida.
Em Brasileia, cidade de 21 mil habitantes, o problema da distribuição de água potável é consequência da enchente do Rio Acre, no início de 2012, a pior da história do município. O dono de farmácia, Licurgo Hassem, nascido em Brasileia há 57 anos, disse que com a cheia, a água do rio invadiu e estourou as tubulações da rede. Ele falou que as obras de restauração das adutoras já estão em execução.
A assessora técnica da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema), Vera Reis, reconheceu à Agência Brasilque tanto na capital quanto em municípios do estado, existem bairros sem qualquer obra de saneamento. Ela disse que os investimentos necessários para a instalação de redes de água e esgoto estão sendo feitos.
Outro problema para os prefeitos que serão eleitos no Acre é o ensino público. Em Capixaba, o comerciante Alberto Nunes disse que só existe uma escola de ensino fundamental. “Na escola só tem o ensino básico. Quem quiser continuar os estudos tem que ir para as escolas de Rio Branco”. No bairro de Taquari, na capital, o pedreiro Antônio Ferreira de Oliveira, 35 anos, disse que para arrumar uma vaga na escola “é um protocolo doido”. De acordo com ele, o bairro tem dois colégios com ensino fundamental e nível médio e outro destinado apenas ao fundamental.





























