
O maior navio de cravação de estacas do mundo já está a caminho da Bahia. O Tie Jian Da Qiao Zhuang 1 deixou sexta-feira (27) o terminal de comércio exterior do Porto de Lüsi, na província chinesa de Jiangsu, com destino à Baía de Todos-os-Santos, onde será utilizado na construção da Ponte Salvador-Itaparica. A previsão é de que a embarcação leve cerca de 45 dias para chegar ao Brasil.
Construído pela China Railway Construction Corporation (CRCC), o navio foi projetado para operações de grande porte em ambientes marítimos de alta complexidade. Tem 130,5 metros de comprimento, estrutura de cravação de estacas de 156 metros, capacidade para içar até 700 toneladas e pode operar em profundidades de até 70 metros.
Na Ponte Salvador-Itaparica, a capacidade do equipamento será colocada à prova em uma das etapas mais complexas da obra: a execução das fundações em águas que chegam a 64 metros de profundidade. A região também apresenta condições geológicas que exigem equipamentos capazes de operar em grandes profundidades e suportar operações de elevada precisão.
A viagem até a Bahia será longa. Partindo da China, o Tie Jian Da Qiao Zhuang 1 deixará a foz do rio Yangtzé, seguirá pelo Estreito de Malaca, contornará o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, e entrará no Atlântico Sul antes de alcançar o litoral nordestino brasileiro.
Mais uma etapa
A chegada do equipamento marca mais uma etapa de preparação para a construção da Ponte Salvador-Itaparica, que terá 12,4 quilômetros sobre o mar e será, segundo o projeto, a maior ponte da América Latina. A estrutura integra o Sistema Viário Oeste (SVO), conjunto de intervenções que pretende ampliar a conexão entre Salvador, a Ilha de Itaparica e o Recôncavo.
O projeto prevê ainda 4,4 quilômetros de novos acessos viários em Salvador, entre a região da Calçada e Água de Meninos, com viadutos e túneis paralelos aos da Via Expressa. Na Ilha de Itaparica, estão previstas uma via expressa de 22 quilômetros e a duplicação de um trecho de 8 quilômetros da BA-001, entre Tairu e a Ponte do Funil.
Mais do que o deslocamento de um equipamento de grandes dimensões, a viagem do navio representa a entrada da obra em uma fase em que engenharia marítima, logística internacional e tecnologia de fundações passam a ter papel central. O desafio agora será transformar a capacidade projetada do equipamento em execução em um ambiente de águas profundas e condições geológicas complexas na Baía de Todos-os-Santos.




























