A inflação voltou a subir na Região Metropolitana de Salvador (RMS) em setembro, depois de dois meses consecutivos de deflação. O IPCA-15, prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE, registrou alta de 0,50%, ante quedas de 0,10% em julho e de 0,71% em agosto.
Mesmo com a retomada da alta de preços, o resultado da RMS ficou abaixo da média brasileira, que foi de 0,70%, e representou o segundo menor índice entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE, acima apenas da Região Metropolitana do Recife, com 0,44%.
O levantamento considera os preços coletados entre 15 de agosto e 15 de setembro.
No acumulado de 2026, o IPCA-15 da RMS registra alta de 3,50%, também abaixo dos 3,82% acumulados no país. Entre as 11 regiões pesquisadas, Salvador tem o segundo menor resultado, à frente apenas de Curitiba, com 2,55%.
Considerando os 12 meses encerrados em setembro, a inflação acumulada na RMS chega a 3,93%, contra 4,47% no Brasil. Nesse recorte, Salvador aparece com a quarta menor taxa entre as áreas pesquisadas.
Energia elétrica puxa a inflação para cima
A alta de setembro foi disseminada, mas teve um protagonista claro: habitação. O grupo avançou 2,03%, maior alta entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados e principal pressão sobre o IPCA-15 da RMS. O movimento interrompeu uma sequência de dois meses de queda.
Dentro do grupo, o destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,41% e foi o item individual que mais pressionou a inflação da região.
O impacto da conta de luz foi parcialmente compensado pelo gás de botijão, que ficou 1,84% mais barato no período.
Alimentação volta a subir
Outro grupo importante para o orçamento das famílias também retomou a alta depois de dois meses de deflação.
Alimentação e bebidas subiu 0,39% em setembro. Embora tenha registrado apenas a sexta maior variação entre os grupos, o peso dos alimentos no consumo das famílias faz com que o segmento tenha exercido a segunda maior pressão sobre o índice da RMS.
Entre os produtos que ficaram mais caros, os destaques foram o tomate (14,87%), o leite longa vida (4,66%) e a refeição fora do domicílio (0,73%).
O movimento, porém, foi parcialmente compensado por quedas em itens importantes da cesta de consumo. O café moído caiu 3,21%, enquanto a batata-doce recuou 19,36% e o feijão-carioca, 7,94%.
O resultado mostra uma inflação de alimentos ainda bastante desigual, com aumentos relevantes em alguns produtos convivendo com quedas expressivas em outros.
Combustíveis ajudam a segurar o índice
Na outra ponta, dois dos nove grupos pesquisados registraram queda de preços na RMS: transportes (-0,04%) e saúde e cuidados pessoais (-0,02%).
Em transportes, a principal contribuição veio dos combustíveis, que recuaram 3,12%. A gasolina caiu 3,11% e o etanol, 4,46%.
A gasolina foi, individualmente, o item que mais ajudou a conter a inflação da RMS em setembro.
O resultado poderia ter sido ainda mais favorável não fossem as altas da passagem aérea (18,29%) e do conserto de automóvel (1,84%).
Na saúde e cuidados pessoais, a queda foi influenciada principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,50% mais baratos. Entre eles, o produto para cabelo recuou 2,44%.
Os produtos farmacêuticos também apresentaram redução média de preços, de 0,13%, com destaque para os medicamentos classificados pelo IBGE como hipotensores e hipocolesterolêmicos, que tiveram queda de 1,86%.
O que o número mostra
O IPCA-15 de setembro revela uma mudança importante na trajetória recente dos preços na RMS: a deflação dos dois meses anteriores deu lugar novamente à inflação.
Mas o resultado regional permanece abaixo da média brasileira tanto no acumulado do ano quanto em 12 meses.
A composição do índice também ajuda a explicar o movimento. Energia elétrica e alimentação voltaram a pressionar o orçamento das famílias, enquanto a queda dos combustíveis funcionou como contraponto.
Para o consumidor baiano, portanto, a fotografia de setembro é menos de uma aceleração generalizada dos preços e mais de uma recomposição das pressões inflacionárias, com a conta de luz assumindo o protagonismo depois de dois meses de queda do índice.






























