O evento integra a celebração dos 80 anos da UFBA e conta com atividades inéditas na universidade e em espaços públicos do cotidiano da cidade – Foto: Vandelson Silva/Divulgação
Com o tema Gastronomias-corpos-territórios das mãos, dos contos e dos mundos, chega a Salvador a 5ª edição do Encontro de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO), de 8 a 12 de junho.
A iniciativa reconhece que as mesmas mãos que plantam, aram, colhem, cozinham e ofertam são também as que fazem suas histórias. E é para dar visibilidade a essas vivências que o encontro abordará a importância da oralidade, da escuta e das partilhas realizadas no campo das gastronomias brasileiras, com foco especial na gastronomia baiana.
O ENPEGASTRO é vinculado ao Departamento de Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, neste ano, acontece em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), anfitriã das atividades desta edição.
Muitas Gastronomias
Sobre a gastronomia da Bahia, o professor de Gastronomia da Universidade Federal da Bahia, coordenador do evento, o historiador e gastrônomo Fernando Santa Clara reforça que as cozinhas e comidas de azeite apresentam o estado e Salvador de forma muito ímpar em relação a outros contextos dos diversos “Brasis” que existem no país: “reconhecer o Brasil é reconhecer também que as gastronomias produzidas na Bahia são plurais e repletas de identidades únicas, que colocam esse lugar em evidência para o resto do mundo”.
Em relação a esses diferenciais, defende, antes de tudo, que devemos pensar em “Bahias”: “existe a do Recôncavo, a do Sertão, a do Litoral Sul, a da região do São Francisco, por exemplo. São muitas Bahias em uma Bahia só”
“Para a gente, é importante apresentar essas muitas Bahias, dando destaque especial a quem compõe essas cozinhas, majoritariamente populações indígenas e pessoas descendentes de negros escravizados. E também mostrar como essas intersecções acontecem não só nos modos de se alimentar e nas técnicas de produção, mas nos corpos de quem faz isso, de quem mantém as heranças vivas.”
Salvador, diversidade e complexidade
Kennedy Ramires Mangerot Ribeiro, docente e pesquisador em Gastronomia, coordenador Executivo, Cultural e membro da Comissão Científica do ENPEGASTRO, destaca que, como uma das cidades de maior relevância em todo o país em riqueza de culturas alimentares, dotadas de diversidade e complexidade, “Salvador transforma o tema do evento em experiência concreta, lembrando-nos que as gastronomias são também memória, identidade, resistência e possibilidade de construção de outros mundos”.
Gastronomias
O termo “gastronomias”, escrito no plural, não é por acaso, mas sim para dar conta da multiplicidade de práticas, saberes e territórios que compõem esse campo. A ideia dessa noção é a de que não existe uma única gastronomia que se sobreponha às demais, mas sim diferentes expressões, igualmente legítimas, que dialogam entre si. “Ao adotar a multiplicidade como substantiva, também rompemos com a (falsa) ideia de hierarquia entre alta e baixa cozinha e reconhecemos uma construção polifônica, em que distintas tradições e contextos têm o mesmo valor”, explica a coordenadora geral do ENPEGASTRO e professora do Departamento de Gastronomia da UFRJ, Cláudia Mesquita Pinto Soares.
A proposta é ampliar o entendimento contemporâneo da gastronomia, incorporando perspectivas diversas que vão do campo e para além dos restaurantes, envolvendo comunidades quilombolas, povos indígenas e diferentes territórios.
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