Joalheiros baianos enfrentam a escassez da matéria-prima e a retração da demanda. – Fotos:Helton Carlucho/Ascom/SDE.
Ana Cristina Magalhães, economista mineral da SDE, explica que essa combinação resultou em um aumento de mais de 32% nos últimos 12 meses, “impulsionado especialmente pela significativa demanda dos bancos centrais, que buscam aumentar suas reservas oficiais, vez que o mundo vive um momento de incerteza econômica e geopolítica”.
Entre os mais impactados pela escalada do preço estão os joalheiros, que enfrentam a escassez da matéria-prima e a retração da demanda. Flaviws Silva, que atua no mercado de confecção e é professor do curso de joalheria ministrado no Centro Gemológico da Bahia (CGB), órgão ligado à SDE, explica que o impacto é sentido em diferentes etapas da cadeia produtiva.
“Como fabricante, sentimos a diminuição na produção e na procura por confecção de joias. Muitos fornecedores retêm o metal na expectativa de que o preço continue subindo, o que dificulta ainda mais o acesso ao material”, comenta.
Criatividade e Inovação
Nesse cenário, a busca por inovação, capacitação e gestão estratégica se tornou fundamental para que negócios consigam se manter competitivos. A ourives Andressa Lobo, ex-aluna e monitora do CGB, explica que o cenário tem exigido criatividade e adaptação tanto de fabricantes quanto de consumidores. Entre a necessidade de manter a atratividade das peças e a busca por alternativas viáveis, o mercado tem encontrado diferentes caminhos para equilibrar custo, inovação e valor simbólico.
A profissional revela que tem recorrido à prata, ou ao ouro com menor teor, para produzir peças com custo mais acessível sem perder a aparência e o valor percebido pelo cliente.
“Hoje há uma procura maior por peças de prata com banho de ouro ou joias de ouro mais leves com mais pedras, porque o metal está muito caro. É uma forma de continuar oferecendo produtos ao público”, explica.
Para os clientes, a valorização do ouro também representa uma oportunidade.
“O mercado vê o ouro não apenas como uma joia, mas como um investimento. Você compra hoje e, daqui a 10 anos, pode vender por um valor maior”, afirma Antônio Rios, fabricante de joias e fornecedor do bem mineral.
Esse movimento tem estimulado a valorização de peças antigas e o reaproveitamento de metais já em posse dos clientes, que podem transformar correntes ou alianças antigas em novas joias, aumentando a sustentabilidade e o valor percebido dos produtos.
Além disso, a tecnologia tem se mostrado uma aliada importante. O uso de impressão 3D permite a produção de peças leves que seriam difíceis de confeccionar manualmente, aumentando a escala sem comprometer a qualidade. Ainda assim, os profissionais reforçam que a mão de obra e o acabamento manual continuam sendo fundamentais:
“O acabamento é o diferencial de uma joia; a tecnologia facilita, mas não substitui o trabalho manual”, destaca o joalheiro e ex-aluno do CGB, Wilton Almeida.
Capacitação pelo CGB
Nesse contexto, os cursos do Centro Gemológico da Bahia (CGB), localizado no Centro Histórico de Salvador, se destacam. A instituição oferece o único curso de Lapidação do Nordeste, além de formar profissionais em Joalheria, Design de Joias e Gemologia Básica, com módulos que vão do nível introdutório ao avançado. Foi lá que Flaviws Silva, Andressa Lobo e Wilton Almeida aperfeiçoaram suas técnicas.
Flaviws, que hoje leciona na unidade, destaca que a formação oferecida pelo CGB é um divisor de águas para muitos alunos. “As aulas do centro são muito importantes, não só para o conhecimento de quem quer investir em joias, mas também para quem muitas vezes precisa disso para sobreviver e sustentar a sua família”, afirma.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, destaca que investir na formação de profissionais qualificados é essencial para fortalecer o setor de joias e gemas da Bahia e superar as adversidades do mercado.
“Conhecer o ouro, seus teores, técnicas de lapidação e design eleva a qualidade das peças produzidas. No cenário atual, é justamente a qualificação que permite ao setor se reinventar, superar os desafios e continuar crescendo. Iniciativas como os cursos do CGB são fundamentais para o desenvolvimento e a resiliência da nossa cadeia produtiva.”
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