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Com portas destrancadas e portões sem cadeados. Em Salvador e, principalmente, nas localidades onde há forte atuação das facções, seja durante o dia, na noite ou até na madrugada, é assim que as casas devem ficar.Reportagem de Wendel de Novais no Correio desta sexta-feira (29).
O que deveria evitar a entrada de estranhos, na verdade, é alvo de uma determinação de traficantes para que os moradores fiquem de portas abertas para o crime quando ele precisar, diz a publicação.
É o que acontece, por exemplo, no Engenho Velho da Federação, onde uma moradora se acostumou a ver traficantes armados dentro da sua residência durante ações policiais. Por lá, assim como em outros pontos da cidade, quem não deixa as portas abertas para traficantes em fuga pode sofrer sanções graves que vão de ‘sessões de tortura’ até o assassinato daqueles que descumprem a ordem dos criminosos.
“Moro lá há 30 anos. Criei meus filhos e minha família aqui e nunca vi isso que está acontecendo. Agora tenho que dormir com as portas abertas e várias noites já me peguei acordando com gente armada dentro de casa mandando eu calar a boca porque eles estavam fugindo da polícia”, relata uma moradora que, com medo de represálias por parte do tráfico, pede para que seu relato fique sob anonimato.
A situação não é exclusiva do Engenho Velho da Federação. No Nordeste, segundo outro morador que pede sigilo, o problema é antigo. “Quanto mais perto da boca [local de operação da facção], essas regras são mais fortes. Aqui isso existe há anos e, quando eu morava na região do Campo do Areal, já entraram na minha casa. Me saí de lá por isso e hoje estou em um lugar mais tranquilo no bairro”, conta.
Para Antônio Jorge Melo, coronel reformado da PM, no entanto, a determinação das facções e os casos de reféns que se acumulam fazem com que violência em lugares dominados pelo tráfico não se limite apenas às ruas da cidade e entre, sem muita dificuldade, para os lares das pessoas que sofrem com o problema em Salvador.
“As facções criminosas usam a população das comunidades carentes como escudo humano para se protegerem e para proteger o seu negócio. […] Esses criminosos se protegem na comunidade, podendo, caso sejam descobertos, fazer os moradores reféns, como garantia de que sairão ilesos”, explica o especialista em segurança.
Fonte: Jornal Correio/Wendel de Novais. Foto: Facções do Tororó Crédito: Marina Silva/CORREIO
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