Humberto Miranda: “Se o passado da Embrapa em muito nos orgulha, o seu presente e, consequentemente, o seu futuro nos preocupa”.
Por Humberto Miranda
Prestes a comemorar 52 anos no próximo dia 26 de abril, quero nesse artigo, mais do que parabenizar, ressaltar a importante contribuição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no processo de modernização da agricultura nacional. Criada durante o governo do presidente Médici, em 1973, a estatal vinculada ao Ministério da Agricultura tem desempenhado, desde então, um papel essencial no desenvolvimento de tecnologia e inovação para aumentar a produtividade no campo.
Graças à sua atuação, concebida dentro da estratégia da Revolução Verde no Brasil, focada em pesquisas para adaptação das culturas às condições tropicais, o país deixou de ser um importador para se tornar um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. Os avanços alcançados na produção e produtividade, inclusive em áreas antes consideradas impróprias para a agricultura, são fruto do trabalho vital desempenhado ao longo dessas mais de cinco décadas.
Responsável por transformar o Cerrado brasileiro em um celeiro produtivo de grãos, fibras e frutas, a Embrapa também criou oportunidades econômicas para os moradores desse bioma. Como resultado, tornou-se uma referência mundial no setor agropecuário, importando conhecimento e exportando técnicas e profissionais altamente qualificados. A empresa tem sido pioneira na promoção da agricultura sustentável, no desenvolvimento da biotecnologia, no melhoramento genético, na digitalização do agro e na adaptação das cultivares a diferentes tipos de solos e condições climáticas.
Os impactos econômicos dessas inovações se refletem no crescimento da produção agropecuária, na geração de empregos e no fortalecimento das exportações brasileiras. A soja, por exemplo, hoje representa uma das principais commodities do País, movimentando bilhões de dólares anualmente. A pecuária, beneficiada pelo melhoramento genético e pelo avanço nas pastagens, tem alcançado níveis recordes de produtividade e qualidade, posicionando o Brasil como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. Além disso, a redução dos custos de produção proporcionada por tecnologias sustentáveis aumentou a competitividade do setor, impulsionando o desenvolvimento econômico e consolidando o agronegócio como um dos pilares da economia nacional.
Sem desmerecer o trabalho de todos os dirigentes que por lá passaram e tiveram e tem desempenhos brilhantes em suas respectivas gestões, é imprescindível destacar o saudoso Alisson Paulinelli. Ele foi um dos grandes responsáveis pela criação da Embrapa e pela modernização da agricultura brasileira enquanto Ministro da Agricultura, em 1974. Paulinelli não apenas idealizou a Embrapa, mas também ajudou a consolidá-la, investindo em ciência e pesquisa.
Sua atuação foi fundamental para a criação do Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), que permitiu a expansão da fronteira agrícola e transformou o bioma em uma das regiões mais produtivas do mundo. Além disso, incentivou a formação de pesquisadores no exterior, promovendo a transferência de conhecimento avançado para o Brasil.
Não é segredo que a produção agropecuária brasileira é essencial para atender à crescente demanda alimentar global.
Se o passado da Embrapa em muito nos orgulha, o seu presente e, consequentemente, o seu futuro nos preocupa. Atualmente a empresa enfrenta uma crise financeira sem precedentes, o que tem reduzido os investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia, colocando em risco os resultados da sua atividade-fim.
Na tentativa de reverter o quadro e colocar a Embrapa novamente na dianteira, sendo farol do desenvolvimento agropecuária nacional e mundial, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, anunciou a liberação de R$ 100 milhões por ano e ainda convocou outras entidades do setor a destinarem anualmente R$ 1 bilhão para reestruturar a empresa de pesquisa.
A efetivação da medida está condicionada a duas exigências: a criação de um setor específico para a aplicação desse recurso e que o mesmo seja presidido pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, que previamente contatado já sinalizou positivamente que aceita o desafio de manter a Embrapa como referência mundial em investimento em inteligência artificial e tecnologias de baixo impacto ambiental, consolidando o Brasil como um dos maiores exportadores globais, tanto em quantidade quanto em variedade de produtos agrícolas.
Não é segredo que a produção agropecuária brasileira é essencial para atender à crescente demanda alimentar global, e, por isso, defendo aqui a ideia de que o Brasil tem um papel decisivo na promoção da paz mundial, uma vez que a segurança alimentar está diretamente ligada ao processo de pacificação, pois onde há fome, sempre haverá conflito.
Por isso, é fundamental reconhecer e valorizar a Embrapa pelo seu papel estratégico na agricultura brasileira e na contribuição para um mundo mais estável e seguro.
Humberto Miranda
Presidente do Sistema Faeb/Senar
Leia também:








































