Em entrevista ao O Globo, o ex-governador da Bahia afirma que imagens de câmeras de segurança do Palácio do Planalto mostram até tentativa de saque em caixa eletrônico. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Após analisar as imagens de câmeras de segurança da invasão de golpistas ao Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chegou a uma conclusão. Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-governador da Bahia afirmou que a atuação de militares durante a flagrante barbárie “está longe de corresponder a uma eficiência para qual essas forças são treinadas”.
Para reparar essa falha histórica, segundo ele, a equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) será renovada, passará por um treinamento e adotará novo protocolo de segurança. Costa pontua ainda que o momento é de pacificar o país, o que, para ele, ocorrerá com o governo gerando emprego, crescimento econômico e entregando obras.
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P – Nos primeiros dias de governo, houve uma cacofonia entre ministros, que divergiam em opiniões e recuavam em promessas de ações. Como o senhor evitará esses ruídos com 37 pastas?
R – O período de transição foi muito difícil. As condições adequadas não foram oferecidas. O presidente terá que ficar morando até dia 25 de janeiro em hotel e, assim que voltar da Argentina, deve mudar para o Alvorada. Só aí, resume tudo. É natural que, nessas condições, está montando equipe e ainda não tem uma uniformidade de procedimentos ou de como fazer o debate. Opiniões diferentes não são ruins. Ao contrário, quem defende a democracia é a favor da oxigenação de ideias e de opiniões heterogêneas. O debate não é ruim. Só precisa ficar claro aquilo que já é opinião do governo, tomada e ratificada pelo presidente da República, ou apenas uma opinião pessoal, que absolutamente todos têm direito a ter. Essas conversas de alinhamento estão sendo feitas. Lula está recebendo todos os ministros, dizendo qual o fluxo que ele quer.
P – Um desses ruídos foi sobre como lidar com os acampamentos golpistas instalados em frente aos quartéis generais do Exército. O ministro da Justiça, Flávio Dino, defendia a desocupação imediata, enquanto o da Defesa, José Múcio , pregava o diálogo. Nesse caso, houve um erro de avaliação de Múcio?
R – Todos defendiam a desmobilização desses acampamentos. Na minha opinião, isso não contribuía e não contribuiu para a imagem das nossas Forças Armadas, que sempre foram o símbolo do que está escrito na bandeira do Brasil: “Ordem e Progresso”. Por isso, sempre fui da opinião que não deveria ser permitido acampamentos com cartazes e faixas questionando a Constituição e os Poderes constituídos. Todos concordavam que deveriam sair. Havia apenas a diferença de opiniões sobre qual o ritmo, se imediatamente ou se levaria dois, três, cinco dias. O que se materializou e comprovou é que esses acampamentos estavam servindo de incubadoras para atos violentos e ilegais. Não conheço, na história do Brasil, momentos em que as Forças Armadas tenham permitido acampamentos de movimentos sociais com quaisquer reivindicações nas portas das suas unidades. Então, isso talvez seja algo singular e único na história das Forças Armadas. Não deveria ter sido permitido em momento algum.
Fonte: Jornal O Globo/Paula Ferreira, Jeniffer Gularte e Thiago Bronzatto – Leia mais…
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