A CPI já tinha determinado a quebra do sigilo fiscal de Barros a partir de 2018. Agora, estendeu esse período até 2016, o que vai abranger todo o tempo em que ele foi ministro da Saúde
A CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira dezenas de requerimentos de quebra de sigilo que têm como alvo o líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Integrantes da comissão suspeitam da ligação dele com irregularidades na negociação da vacina Covaxin.
Esse imunizante, desenvolvido pelo laboratório indiano Bharat Biotech, foi o mais caro a ter negócio fechado com o Ministério da Saúde. As tratativas no Brasil ficaram a cargo da empresa Precisa, mas elas foram suspensas pelo Ministério da Saúde após o caso ter entrado no radar da CPI.
Na reta final da CPI, que deve acabar no próximo mês, os parlamentares aprovaram o que deve ser a última leva de requerimentos para convocações e pedidos de documentos. Por acordo, o nome do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ficou de fora da lista. Ele coordenou as ações de enfrentamento à Covid-19 enquanto esteve no comando do Ministério da Casa Civil, mas, por atualmente comandar as Forças Armadas, parlamentares quiseram evitar um embate direto com os militares
A CPI já tinha determinado a quebra do sigilo fiscal de Barros a partir de 2018. Agora, estendeu esse período até 2016, o que vai abranger todo o tempo em que ele foi ministro da Saúde durante o governo do ex-presidente Michel Temer. Barros tem um processo de improbidade administrativa na Justiça Federal em razão de um contrato fechado pela pasta nessa época com a empresa Global, sócia da Precisa, que recebeu pagamento adiantado, mas não forneceu os medicamentos que deveria.
A CPI aprovou ainda a quebra do sigilo fiscal de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Segundo o requerimento do relator Renan Calheiros, “foram interrelacionados comportamentos, transferências monetárias e ligações societárias” entre diversas empresas e investigadas e pessoas, entre elas Wassef. Também foi aprovado requerimento pedindo ao Senado é Câmara dos Deputados de “todos os registros de acesso e entrada” de várias pessoas, como Wassef e Maximiano.
A votação dos requerimentos foi em bloco. Uma parte deles, para quebrar o sigilo de blogueiros e perfis das redes sociais, foi votada à parte a pedido do senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE). A base do governo apelou para a liberdade de expressão para que a medida não fosse adotada. Já a oposição alegou que eles faziam ataques à democracia e promoviam desinformação. Assim, a CPI aprovou a quebra de sigilo. Entre os alvos está o blogueiro bolsonarista Allan Lopes dos Santos, que já foi alvo do STF e da Polícia Federal (PF).
(O GLOBO / André de Souza e Julia Lindner)






















