
O prefeito ACM Neto começou o discurso agradecendo ao empenho dos profissionais de saúde, e fazendo uma comparação entre a atuação deles na pandemia e os heróis que consagraram a independência em 2 de julho de 1823.
“De certa forma, esse é um momento histórico. Assim como no passado aqueles heróis lutaram pela nossa independência, pela liberdade do nosso país, hoje no presente nós temos muitos heróis em luta no campo de batalha. Não é a batalha das armas, não é a batalha do enfrentamento físico, não é a batalha no campo, ela ocorre hoje nos leitos hospitalares. Ela está sendo travadas nos 163 bairros de Salvador e nos 417 municípios da Bahia”, disse.
Neto continuou. “Ao recordarmos nesse ato os heróis do passado, precisamos homenagear os heróis do presente, em especial a todos os profissionais da área de saúde que estão na linha de frente, arriscando suas vidas e dando o melhor de si para salvar a vida do próximo”, afirmou.
Antes de o prefeito discursar, o governador Rui Costa também falou sobre os desafios dos novos tempos. Ele frisou que é preciso que a população colabore ficando em casa para ajudar a conter o avanço do vírus, disse que as decisões estão sendo pautadas de forma técnica e que a vida é prioridade.
“Em 1823, a independência do Brasil se materializou, se concretizou aqui na Bahia. E no Brasil de hoje vivemos outra batalha, a luta contra um ser invisível que a ciência ainda busca explicar o seu modus operandi, porque em algumas pessoas os sintomas são tão leves que, às vezes, a pessoa nem sabe que está com o vírus, e em outras ele é tão letal que mata rapidamente. Essa é uma batalha que tem sido longa demais e, infelizmente, o Brasil não escolheu a estratégia correta de enfrentar o vírus e minimizou o adversário”, afirmou.
Sem citar nomes, Rui Costa criticou a morosidade da União em tomar decisões relacionadas à pandemia e a postura de políticos que minimizaram o problema. Ele disse que faltou preparo.
“Não é possível minimizar o valor da vida humana e os países que fizeram isso pagaram um preço muito alto, e nós estamos pagando um preço muito alto. Estamos chegando a 120 dias de pandemia. Nenhum país do mundo ficou tanto tempo nessa situação. Os asiáticos souberam enfrentar isso muito melhor do que o ocidente. Eles encararam o vírus desde o início como uma coisa muito séria, gravíssima, tomaram o remédio amargo de uma vez fechando tudo por 20 ou 30 dias e conseguiram superarar o pico. Nós resolvemos tratar uma pandemia dessa como se fosse algo pequeno e, por isso, estamos pagando o preço em vidas humanas e empregos, um preço muito maior do que deveríamos pagar”, afirmou o governador.
Depois do hasteamento das bandeiras, foi feita a deposição das flores no monumento ao General Labatut, também no Largo da Lapinha. Este ano, por conta da pandemia não houve desfile. Os carros do Caboclo e da Cabocla ficaram posicionados na porta do barracão para fotos. As oferendas que normalmente adornam a estrutura onde ficam as imagens também foram proibidas.
Reabertura
O fechamento do comércio para conter o avanço da pandemia também foi motivo de debate. Tanto Rui como Neto disseram que estão sofrendo pressões dos empresários para reabrir as lojas, mas os dois disseram que isso somente acontecerá se o cenários da pandemia permitir. O prefeito disse que esteve em reunião com o representantes empresarias e líderes do comércio, nesta quarta-feira (1º). Na ocasião, ele ouviu os argumentos dos empresários e atualizando as informações a covid-19.
“A base fundamental das nossas decisões é impedir que haja um colapso no sistema de saúde de Salvador. Todas as decisões que nós tomamos do dia 13 de março pra cá, quando editamos o primeiro decreto municipal, todas elas foram exatamente nesse mesmo sentido. Eu tenho certeza que nenhum de nós vai desviar desse foco porque o pode haver de pior em Salvador é se multiplicar o numero de pessoa precisando de atendimento hospitalar e encontrando essa porta fechada”, afirmou.
Neto disse também que esse é o maior desafio da vida pública dele, que entende o sofrimento dos empresários, mas que a vida está acima de qualquer outra questão. Ele afirmou que não pretende ceder a nenhuma pressão que não seja adequada e devida e que as decisões serão tomadas a partir de critérios objetivos, científicos e transparentes.
Já o governador contou que há uma questão moral envolvida na pressão dos empresários, e que as vidas não podem ser banalizadas.
“Ontem, eu recebi uma correspondência da Federação Comércio pedindo que abra tudo em todo o estado. Qual o limite aceitável para essas pessoas de numero de morto que nos podemos aceitar para decidir abrir tudo de qualquer jeito, dizendo apenas que os estabelecimentos tomem os cuidados necessários? Aceitar 1,5 mil mortes por mês? E não está aberto, se abrir vai pular para 3 mil mortes por mês. Temos que decidir conjuntamente o que o povo baiano quer? A vida de 3 mil pessoas por mês é o preço? Que esse dia possa servir para a gente refletir”, disse.































