
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA
“Fazer feijão com arroz todo mundo faz. Fazer calçamento, colocar meio fio ou asfaltar uma via é fácil. O problema é quando chega a hora de se definir um plano estratégico global para enfrentar uma situação complexa, complicada como a atual, com a pandemia do coronavírus. Aí as falhas e os erros de gestão cometidos ficam evidenciados. A Ilha de Itaparica ficou exposta e os casos da doença explodiram de vez”.
A afirmação é do ex-prefeito de Vera Cruz e assessor da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado, Antonio Magno. Em entrevista nesta quarta-feira (17) ao JORNAL DA MÍDIA, ele analisou o avanço do coronavírus na Ilha de Itaparica e fez duras críticas às medidas praticadas até aqui pelas prefeituras
“As prefeituras deveriam criar um auxílio específico para a população pobre, que não tem como se manter. Isso porque muitos não conseguem obter, por problemas com o CPF e outros, o Auxílio Emergencial do governo federal. Distribuição apenas de cesta básica não adianta”.
O primeiro caso de coronavírus em Vera Cruz foi confirmado dia 11 de abril. Em 1º de junho, o município já acumulava 14 casos, que pularam para 49, ontem, conforme o boletim epidemiolóogico da Secretaria de Saúde da Bahia.
Portanto, o aumento de casos do Covid-19 em Vera Cruz chegou a impressionantes 250% em apenas 16 dias. Já Itaparica tinha 27 casos oficiais registrados pela Sesab em 1º de junho. Hoje são 46 casos oficiais, com aumento de 70,37%. Vera Cruz contabiliza duas mortes e Itaparica três.
Magno entende que os dois prefeitos – Marlylda Barbusa (Itaparica) e Marcus Vinícius (Vera Cruz) – perderam muito tempo com discussões isoladas e voltadas para interesses políticos, quando o momento exigia que os eles esquecessem as divergências, que colocassem a vaidade de lado, e se unissem para enfrentar a pandemia com metas e ações realmente planejadas e eficazes.
“As diferenças políticas não podem ser mais importantes que a luta para se salvar vidas. Os municípios teriam que construir juntos um projeto único e forte para enfrentar o coronavírus, com criação de um coomitê específico, definição e treinamento de equipes de profissionais de saúde e com estrutura e logística capazes de atender muito bem tanto Itaparica como Vera Cruz. Não podem alegar agora que não deu tempo, que tudo foi muito de repente. Desde o início de março a Bahia registrou o primeiro caso de coronavírus. O vírus só chegou de surpresa na China, mas na Ilha de Itaparica não”.
“Esperaram a cerca ser arrombada”
Para o ex-prefeito de Vera Cruz, os dois municípios da Ilha de Itaparica têm passagem fácil, com sistemas de transporte marítimo e rodoviário que facilitam o acesso às sua comunidades. As duas travessias que ligam a Ilha à capital (Bom Despacho e Mar Grande) respondem por uma movimentação grande de passageiros e veículos. A rodovia BA-001 é o principal canal de tráfego de veículos para o Sul e Baixo Sul do Estado. Disse ainda que as medidas adotadas pelas duas prefeituras estão sendo executadas basicamente nas sedes dos município, não contemplando os distritos.
“A primeira coisa que tinham que fazer era levantar o perfil de usuários das lanchas de Mar Grande e do Sistema Ferry-boat. Com isso, ficaria mais fácil saber a necessidade real de transporte das pessoas que moram na Ilha e que se deslocam para a capital. Todos sabem que a Ilha de Itaparica tem trabalhadores que dependem muito da capital. São mariqueiros, pescadores e pequenos vendedores que dependem exclusivamente da atividade para se sustentarem. O bloqueio ou limitações ao transporte só ocorreram depois que a cerca foi arrombada”, observou Antonio Magno.
Clube Med seria a solução
Quando se discutia muito na Ilha de Itaparica, sempre entre os dois prefeitos, a implantação de um centro de referência para o coronavírus capaz de atender às necessidades que viriam com o surgimento dos casos, Antonio Magno disse que chegou a propor ao Governo do Estado que avaliasse a ocupação do Club Med, que continua desativado, para a construção da unidade hospitalar. Mas as duas prefeituras não acolheram a ideia.
“Além da unidade hospitalar específica para o Covid-19, o Club Med abrigaria em dependências apropriadas as pessoas contaminadas que não pudessem permanecer em suas casas. É do conhecimento que a Ilha tem uma população carente e ter uma pessoa contaminada junto com outras 7 ou 8 numa mesma casa, é contaminação certa se espalhando. Isolar essas pessoas com em uma unidade referência seria muito importante para conter o avanço da doença. A verdade é que em se tratando de isolamento, não houve ainda uma campanha forte dos dois municípios, não aconteceu uma campanha específica”.
































