
A população do município de Guanambi, no Médio São Francisco baiano, produtores, revendedores e demais envolvidos na cadeia produtiva já estão sentindo os efeitos das obras de reestruturação e modernização do projeto público de irrigação Ceraíma, realizadas em 2019, pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
“A realidade atual de Ceraíma está superando nossas expectativas. Um solo muito fértil, as lavouras produzindo bem demais. O bananal, por exemplo, daqui a uns três meses, já começa uma produção muito boa. Já tem várias colheitas de batata, feijão, mandioca e tomate abastecendo o mercado regional”, conta o presidente da Cooperativa Agrícola de Irrigação do Projeto Ceraíma (Cooperc), Marco Antônio Fraga.
“Um aspecto muito positivo é a geração de emprego e renda. Estima-se que esse empreendimento vai gerar, direta e indiretamente, de 3.000 a 3.500 empregos, movimentando a economia de toda a região. Guanambi cresceu depois que o projeto Ceraíma se tornou realidade nos anos 1970”, afirma o chefe do Escritório da Codevasf em Guanambi, vinculado à 2ª Superintendência Regional, Hudson Faria.
As obras de reestruturação e modernização, que representaram um investimento de R$ 15,9 milhões, com origem em orçamento próprio e no Orçamento Geral da União destinado à Codevasf por meio de emenda parlamentar, retomaram a irrigação e a produção, além de tornarem o perímetro mais eficiente na captação e na distribuição de água.
Estima-se que serão ofertados, entre agosto de 2019 e agosto desse ano, cerca de 4,5 hm³ (hectômetros cúbicos) de água aos irrigantes, uma economia de quase 70% quando comparada aos 15 hm³ utilizados anualmente antes de 2008, quando a irrigação foi suspensa. Isso é resultado da mudança na infraestrutura, com a substituição do antigo sistema de irrigação por sulcos pelo atual sistema de irrigação por microaspersão.
“Em breve, iremos instalar um macro medidor volumétrico para saber e informar, aos órgãos de controle como a Agência Nacional de Água (ANA), o volume exato que está sendo retirado da barragem para irrigação”, diz Hudson Faria.
A alteração no sistema fez com que o projeto passasse a ter uma alta eficiência no uso de recursos hídricos, chegando a 85% do uso da água. Hoje, Ceraíma também possui um sistema de condução de água por meio de tubulações fechadas, ao contrário das estruturas abertas que existiam antes, o que também elevou a eficiência, chegando a estimados 95%.
Um dos principais atrativos para os produtores é o fato de que a estrutura atual capta água da barragem de Ceraíma e a fornece às áreas de irrigação por gravidade, sem uso de energia elétrica.
“É um sistema que, dependendo do volume da barragem, dispensa o uso de energia elétrica por parte dos irrigantes, uma vez que a barragem está localizada em uma posição privilegiada em relação ao perímetro. Em termos de cota, pelo volume atual, permite a todos irrigantes utilizarem seus sistemas de irrigação, por microaspersão ou gotejamento, apenas com a pressão da própria barragem”, explica Hudson Faria.






























