Em tentativa de aproximação do governo, Toffoli vai à transmissão de cargo de quatro ministros

Toffoli prestigiou a posse de Sergio Moro no Ministério da Justiça (Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil)

No dia seguinte à posse do presidente Jair Bolsonaro, Brasília foi palco nesta quarta-feira das cerimônias de transmissão de cargos dos 22 ministros integrantes do novo governo. Mesmo que o protocolo não o obrigasse, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, fez questão de comparecer a quatro eventos. Em um esforço físico para estar em tantos locais na Esplanada dos Ministérios, ele prestigiou os ministros Sérgio Moro, da Justiça; Paulo Guedes, da Economia; general Fernando Azevedo, da Defesa; e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores.

A atitude de Toffoli mostra o empenho em aproximar o Judiciário do Executivo, em uma tentativa de tornar concreta a harmonia entre os Poderes. Esse movimento não é novidade: em setembro, quando assumiu a presidência do STF e vislumbrou o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas, Toffoli procurou o general Villas-Bôas, comandante das Forças Armadas, para pedir a indicação de um general para ser seu assessor especial. O escolhido foi Azevedo.

Azevedo é próximo de Bolsonaro. Ambos se formaram na década de 1970 na Academia Militar das Agulhas Negras. A presença de Azevedo no STF funcionou como uma simbologia de que Toffoli estava disposto a dialogar com os militares. Funcionou. Em novembro, Bolsonaro escolheu o general de Toffoli para comandar a Defesa. Depois da baixa em sua equipe, o ministro escolheu outro general como assessor: Ajax Porto Pinheiro.

A presença de Toffoli na posse de Azevedo mostra que ele quer manter viva a interlocução com as Forças Armadas. O mesmo pode-se dizer em relação à posse de Moro, o ex-juiz que conduziu a Lava-Jato na primeira instância, em Curitiba. Muitas vezes, Toffoli votou no STF para a libertação, ou mesmo a transferência para a prisão domiciliar de réus condenados por Moro. No tribunal, o ex-juiz é visto com ressalva por ministros da chamada ala garantista. Agora, em nome das relações institucionais, Toffoli vai precisar estreitar as relações com o dono da pasta da Justiça.

Fonte: O Globo / Carolina Brígida

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