Um dos maiores produtores de soja, milho e algodão do Brasil, o Oeste da Bahia vem se destacando também na produção de trigo, atraindo os empresários interessados a instalar, na região, uma indústria de moagem do cereal. O assunto pautou a reunião, realizada em Salvador, entre o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Cézar Busato e o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Antônio Ricardo Alvarez Alban.

Dados da Fieb apontam o elevado consumo de farelo e farinha de trigo na região Nordeste do Brasil, sobretudo na Bahia. Os produtos comercializados e consumidos aqui provêm de outros estados brasileiros, a exemplo do Rio Grande do Sul, e até de outros países. A instalação de uma indústria de moagem de trigo iria suprir a demanda de abastecimento da região. Também participou da reunião o diretor da Limiar, João Ramos. A Limiar é uma das principais indústrias do setor de alimentos.
De acordo com o presidente da Aiba, as experiências com plantio do trigo, embora recentes, são muito satisfatórias, principalmente nas áreas irrigadas. “Já possuímos tecnologia para a produção de mais de 6 toneladas de trigo por hectares, com grãos de excelente qualidade para a indústria. Vamos avançar ainda mais a nossa tecnologia, que estamos desenvolvendo em parceria com a iniciativa pública e privada, com o apoio da Fundação Bahia, Embrapa e de universidades, para viabilizar a instalação de uma unidade industrial com capacidade de 500 toneladas/dia”, disse Júlio Cézar Busato.
Busato informou que para viabilizar o projeto, seria necessário o cultivo de 30 mil hectares, ou seja, 28% da área irrigada do cerrado, o que, segundo ele, é perfeitamente possível num futuro próximo, ”mesmo se utilizarmos só uma pequena parcela da área total de soja, que este ano deverá ser de 1,6 milhão de hectares”.
O presidente da Aiba ressaltou, ainda, que, além da área irrigada, os agricultores da região têm buscado viabilizar uma safrinha na área de sequeiro, com o plantio de variedades de soja mais precoces, permitindo, assim, uma segunda safra com o trigo, fato que aumentaria, e muito, a oferta do cereal.
O encontro resultou na celebração de uma parceria entre a Aiba e a Fieb, para que os produtores rurais do Oeste comecem a industrializar seus produtos. O convênio, que prevê o desenvolvimento regional, deve ser estendido, em uma segunda fase, às secretarias da Agricultura e do Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, além de empresários do setor.





























