Uma sangria irreversível. Assim pode ser definida a audiência desta edição do Big Brother Brasil. A tão anunciada ‘Temporada da Paixão’ serviu apenas para consolidar a crise conjugal entre o reality show e o público. Desde a estreia, no dia 14 de janeiro, até o início desta semana, o programa conseguiu 21 pontos de média. Dois a menos que a já sofrível edição de 2013.
O BBB foi traído pelos fãs, que elegeram novas paixões — especialmente em canais pagos e na internet. Ou terá sido o Big Brother quem os traiu? Afinal, a mais fraca das edições, com personagens no nível rasteiro dos dramalhões mexicanos, resultou numa insatisfação popular que nenhuma terapia seria capaz de reverter. Ficou impossível ser fiel ao BBB. Haja DR!
Agindo como um marido violento, a Globo e a produtora Endemol conseguiram na Justiça uma liminar impedindo o Terra e o UOL de citar o reality show. O blog ‘Espião BBB14? precisou ser tirado do ar. Impedido de exercer a função de crítico de TV, eu me tornei unicamente telespectador. Escrever sobre o reality show está longe de ser uma tarefa prazerosa e agregadora ao conhecimento. Porém a sensação de ser proibido de postar livremente é mais frustrante do que a obrigação profissional de assistir ao programa.
A mordaça durou seis dias. Neste período quem mais perdeu foi o próprio BBB. Perdeu Cássio, um dos poucos participantes com alguma função na casa. Perdeu ritmo: tudo se resume ao chororô sem fim de Marcelo e à suposta crise de consciência de Angela. E perdeu a noção de realidade.
No mundo real e democrático, a liberdade de expressão e o direito à informação são conquistas valiosíssimas e intocáveis. Mas a Globo e a Endemol preferiram imitar a trama sombria do livro ’1984?, de George Orwell, no qual o personagem Big Brother (mera coincidência de nomes?) usava seu poder de tudo ver para tudo controlar, aterrorizar, manipular. O Grande Irmão era tão somente um grande carrasco.
Você pode achar o BBB um lixo. Porém é fundamental que seja dado a você o direito de ler ou não sobre esse lixo. Quando uma empresa de comunicação impede outra de passar uma informação, ainda que descartável, atinge diretamente a liberdade do leitor. E a internet só terá valor enquanto o usuário puder escolher entre todas as opções. Escolher não ler. Ler e ignorar. Ler e criticar. Ler e aprovar. Enfim, exercer o próprio julgamento. O verdadeiro Big Brother é o público. E esse poder ninguém pode tomar de você. Nem mesmo a Grande Irmã. Plim Plim.
































