Salvador – A decoração do Carnaval do Pelô este ano homenageia a “Bahia Negra: Caymmi e Ilê”. Velas brancas ao vento, pescadores e coqueiros exaltam o centenário do cantor e compositor Dorival Caymmi. Bandeirolas e estandartes coloridos reverenciam o Ilê Aiyê (40 anos) e mais cinco tradicionais entidades carnavalescas: os afoxés Filhos de Gandhy (65 anos) e Badauê (35); os blocos de índio Comanches do Pelô (40) e Apaxes do Tororó (45); e ainda o bloco afro Malê Debalê (35).
“Na criação da decoração do Pelô, busquei valorizar elementos da cultura afro-barroca, reverenciando Caymmi através dos personagens de suas músicas, e as entidades carnavalescas com seus símbolos nas bandeirolas, bastons e estandartes”, afirma o artista plástico J. Cunha, ressaltando que tanto Caymmi como os grupos homenageados representam a Bahia Negra, pois trazem em suas histórias “a mitologia africana presente na cultura baiana”.
A homenagem a Caymmi na decoração chama mais a atenção no Terreiro de Jesus e no Cruzeiro de São Francisco, onde a boneca Dora aparece com as sombrinhas, os pescadores na beira do mar, os coqueiros são coloridos e as velas brancas dos saveiros balançam ao vento por toda a praça.
A exaltação às entidades carnavalescas, por sua vez, está presente nas ruas e largos do Pelourinho, sendo que os espaços e palcos contam com “portal de desenho barroco, com pinhas no alto, justamente para lembrar as estruturas das casas antigas”, explica o artista, que tem mais de 40 anos de carreira e já realizou exposições em vários estados do Brasil e também nos Estados Unidos, Europa e África.





























