Em visita ao Rio de Janeiro para o primeiro encontro da fundação Clinton Global Initiative (CGI) na América Latina, o ex-presidente americano Bill Clinton critica, em entrevista exclusiva ao jornal O GLOBO, o rastreamento das comunicações da Petrobras: ‘Não deveríamos levantar informação econômica sob o pretexto de segurança’.
Tecnologia é importante para o crescimento e a conectividade tem aumentado no continente. Mas parece haver uma troca em que perdemos privacidade. É inevitável?
O benefício é extraordinário para os mais pobres. Na África, para cada incremento de 10% na penetração de celulares, o PIB aumenta em 0,6%. Mas todos os países terão de trabalhar em seus protocolos de privacidade. Nos EUA, o governo pode monitorar ligações e e-mails desde que seja em busca de padrões. O conteúdo só é violado se percebemos que aquela pessoa tem conexões regulares com suspeitos de terrorismo. Ainda assim é preciso ir ao tribunal pedir aprovação para ouvir a conversa. O problema é que alguém bom em computadores pode quebrar qualquer código. Edward Snowden fez isso. Alguns países europeus têm política semelhante à nossa porém gastam mais dinheiro para proteger informação. É mais difícil para o governo violar a privacidade dos cidadãos. No Brasil, o incômodo maior foi com o acompanhamento das conversas da presidente Rousseff.
E também da Petrobras…
Sim, há o caso da Petrobras. Em primeiro lugar, não deveríamos levantar informação econômica sob o pretexto de segurança. Não com um aliado. Mas vamos à questão da segurança. Precisamos ter uma conversa clara, séria e aberta explicando por que a Big Data pode evitar um ataque terrorista. Eu tenho informação concreta de que salvamos vidas rastreando padrões de conversas. O tema gerou controvérsia, mas muitos governos desejam que seus serviços de inteligência façam o mesmo. Agora devemos explicar às pessoas o que é a capacidade de rastreamento de informações. Elas precisam ao menos entender, mesmo que não concordem. O problema é a falta de transparência e a falta de garantia de que usamos todos os meios tecnológicos disponíveis para proteger a privacidade. Há muito mais que pode ser feito.































