O ex-presidente do PT, deputado José Genoino (SP), e o operador do mensalão, Marcos Valério, entraram nesta sexta-feira com embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter condenações no processo do mensalão. O recurso dá aos réus o direito a um novo julgamento, com possibilidade de absolvição pelo crime de formação de quadrilha. Como eles foram condenados também por outras práticas, mesmo que o recurso seja aceito eles irão para a cadeia. A defesa de Genoino citou uma música de Chico Buarque e disse que o ex-presidente do PT não pode ser considerado um “bandoleiro”.
Têm direito aos infringentes réus condenados que tenham obtido ao menos quatro votos favoráveis. Dos 12 réus nessa situação, dez entraram com o recurso até agora. Outros três réus que, em tese, não têm esse direito, também ajuizaram o recurso. O prazo vence na segunda-feira.
Genoino recebeu pena de seis anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto, em que o preso tem o direito de trabalhar durante o dia e voltar para a cadeia à noite. Se sair vitorioso dessa fase do julgamento, cumprirá quatro anos e oito meses, no mesmo regime. O petista está de licença médica da Câmara desde setembro e entrou com pedido de aposentadoria por invalidez. Valério foi condenado a 40 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado. Se o recurso for aceito, a pena passará a ser 37 anos e cinco meses, no mesmo regime.
A defesa de Genoino alegou a inocência do réu. “José Genoino Neto não merece a pecha de bandoleiro. José Genoino Neto não integra quadrilha. José Genoino Neto é um digno e honesto cidadão, é um homem público extremamente íntegro, probo, idôneo e incansável servidor da causa pública, é portador de conduta, personalidade, vida, passado e trajetória política de todo incompatíveis com a prática de crimes ou com a espúria associação para delitos praticar. José Genoino Neto, sem favor algum, merece absolvição!”, diz o texto do advogado Luiz Fernando Pacheco enviado ao STF.
No recurso, o advogado transcreveu a letra da música “Canción por la unidad de latinoamerica”, uma parceria de Chico Buarque e Pablo Milanés. “Quem vai impedir que a chama/saia iluminando o cenário/ saia incendiando o plenário/saia inventando outra trama”, diz um trecho. (Carolina Brígido, O Globo)
































