
Para o senhor, o deputado João Campos teve medo da opinião pública ao mandar arquivar o projeto da “Cura Gay”?
Eu não desistiria se fosse o autor. Esse apelido não condiz com o projeto. Com ele, estamos evitando sermos vítima de chantagem porque ele [o gay] vai falar abobrinha com psicólogo e denuncia (…) “só porque sou gay, tentou fazer minha reorientação”, não dá, o psicólogo vira vítima e é passível de perder o seu registro. Não é cura gay, o remedinho não vai ser obrigatório não. É liberdade de o psicólogo atender. [O objetivo é], em primeiro lugar, defender o psicólogo de ser vítima de chantagem e, depois, não impedir que o psicólogo tenha liberdade de conversar com seu paciente sobre homossexualidade.
O senhor planeja criar um projeto parecido?
Não. Não vejo como prioridade. Além disso, só a partir do ano que vem outro deputado pode apresentar matéria igual. Os caras tentam me encaminhar pra homofobia, mas minha briga é contra o kit gay. Eu não posso permitir que os gays peguem o kit gay e passem isso para crianças menores de idade. Minha briga vai continuar sendo o kit gay, que a [presidenta] Dilma Rousseff mentiu dizendo que mandou recolher. Os livros didáticos têm chegado com matérias claras sobre o assunto, estimulando até a pedofilia.
Para finalizar, qual sua opinião sobre a atuação da polícia na onda de manifestações que tomou conta do país?
Em baixo da farda tem o ser humano. Alguns [manifestantes] que provocaram o tumulto, se você não quer que a Polícia Militar haja dessa forma, culpa o governo – [culpa] a Dilma, que deixou dentro do Planalto uma tropa do exército. Culpa ela porque quando era no passado tudo era ditadura, agora é democracia. A verdade é que tá cheio de bundão travestido de especialista em segurança pública, se ouvirem uma bombinha de São João saem correndo, mas querem mandar em policial. (Diário do Poder)
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Deixar “os homossexuais em paz” é dar-lhes o direito, caso queiram, de procurar ajuda inclusive dos psicólogos, no sentido de contribuir para resolver suas crises existenciais. Caso alguns deles queriam ser reorientados na questão de sua opção sexual, ninguém pode impedir este direito. Nem os psicólogos, nem o Conselho Federal de Psicologia, nem os ativistas gays podem impedir que eles busquem ser diferente daquilo que eles aprenderam a ser. Que democracia é esta que estamos vivendo? Aquela que obriga a pessoa que se vê gay ser obrigado a ser e não poder buscar ajuda? Sei que muitos comentários induzidos pela mídia podre e hipócrita são contra este projeto erroneamente apelidado pejorativamente de “cura gay”. Sei também que muitos se levantarão conta meu comentário e contra minha pessoa. Mas que cada palavra digitada possa pesar na consciência de cada cidadão de bem de nosso país. E cada um possa digitar sua própria sentença diante dos valores morais que mantiveram a civilização sobrevivente até hoje.