
O primeiro ato que Dirceu assinou no cargo foi bem menos grandioso, mas revelador de seu caráter. Era uma portaria que mudava a ordem de entrada dos ministros nas solenidades do palácio. Historicamente, depois do presidente da República, vinha o titular do Ministério da Justiça, por ter sido a primeira pasta a ser criada. Dirceu transferiu a prerrogativa para si: quem apareceria caminhando logo atrás do presidente seria ele, o chefe da Casa Civil – que, a partir de então, teria também a primazia no uso de carros oficiais e de aviões da Força Aérea Brasileira.
De autoria do jornalista Otávio Cabral, editor de Veja, Dirceu – A Biografia (Record; 364 páginas; 39,90 reais, ou 27 reais na versão digital) conta esta e outras tantas histórias definidoras da personalidade do biografado, o que faz do livro um daqueles difíceis de largar (leia aqui o primeiro capítulo).
Para escrever a mais completa e surpreendente biografia de um dos mais complexos e enigmáticos personagens da história recente do Brasil, Cabral analisou 15 000 páginas de documentos garimpados no acervo de nove arquivos. Entrevistou 63 pessoas, anônimas e públicas, cuja confiança conquistou ao longo dos treze anos em que atua como repórter de política – primeiro pela Folha de S.Paulo e, desde 2004, em Veja. (Veja Online)































A personalidade é construída na infancia durante a relação mãe-filho, cuidador-criança e professor-aluno. Como é a personalidade desses responsáveis pela criança? Ocorre muito repetição de comportamento. A personalidade está ligada a fala do outro, a linguagem. Somos humanos porque falamos. Mas existem tres tipos de pessoas: humanos, semi-humanos e não humanos. Como era a personalidade dos pais de José Dirceu? José Dirceu não humano.