“Sua profissão durante muito tempo foi a de maître de restaurante na Zona Sul do Rio. Tempos depois foi proprietário de um restaurante na Baixada Fluminense. Neste período, vivia totalmente envolvido nas noitadas, bebedeiras e prostituição. Fazendo também parte assiduamente da torcida organizada do Flamengo, em seu vocabulário, de cada dez palavras, nove eram palavrões”.
Com essa descrição sobre os anos passados longe de Deus pelo pastor Marcos Pereira, hoje acusado de estupro e investigado por homicídio, o ex-deputado estadual José Nader Júnior (PTB) abriu o texto do projeto apresentado em 2009 à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) propondo a entrega da Medalha Tiradentes a Marcos, cuja conversão a religioso é contada no mesmo texto.
A homenagem não foi aprovada na época, mas voltou ao plenário pelas mãos do hoje deputado federal Walney Rocha (PTB), que deu ao pastor a maior comenda da Casa em abril de 2011, motivado pelo trabalho de Marcos com ex-detentos.
Cerca de um ano depois, o pastor subiu à tribuna da Alerj para receber o título de benemérito do estado, dessa vez, por iniciativa do deputado estadual Paulo Ramos (PDT). É ele quem lidera agora uma corrente de apoio ao religioso na Alerj, argumentando que a investigação da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), que prendeu Marcos, é falha. Ramos questionará o trabalho da unidade junto ao procurador geral de Justiça, Marfan Vieira, ao lado de outros deputados. Um deles é Edino Fonseca (PEN). Assim como Ramos, ele diz que as mulheres que acusam o pastor de estupro são ligadas ao AfroReggae, ONG liderada por José Júnior, autor das primeiras denúncias contra Marcos.
— A mulher do pastor, que dizem ter sido estuprada por ele, falou (anteontem) em depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Alerj que é mentira. Isso não passa de um linchamento público — diz Ramos.(O Globo, Fabíola Gerbase e Ana Cláudia Costa)































