LUÍS AUGUSTO GOMES
A depender da evolução do quadro político, a oposição poderá ter em 2014 uma chapa competitiva ao governo do Estado: na cabeça, o ex-governador Paulo Souto (DEM), e na vice, o ex-prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), que até já está metendo a cara em outdoors.
A expressão “chapa competitiva” foi cunhada por um observador da política baiana com um adendo: “Nem feita com a certeza da vitória, nem derrotada por antecipação”. O equilíbrio entre as duas possibilidades, obviamente, está no desempenho do prefeito ACM Neto em Salvador.
Não seria necessária “uma administração fenomenal” na capital para que Neto se transformasse num cabo eleitoral poderoso, mas apenas que fosse suficiente para “sinalizar uma nova relação de confiança” entre o poder e a população, que ele vê “desgastada” no atual governo.
Outro pilar importante será – porque neste caso não há dúvida – a gestão do prefeito José Ronaldo em Feira de Santana. Tendo exercido dois mandatos anteriores com ampla aprovação, Ronaldo é certeza de grande força em 2014, o que faria o candidato oposicionista largar na frente nos dois maiores colégios eleitorais do Estado.
Imbassahy articula e Mendonça apoia – Nos bastidores da Assembleia Legislativa, a informação complementar: um grande entusiasta dessa composição é o empresário João Carlos Paes Mendonça, espécie de padrinho de Gualberto nos negócios, tendo, inclusive, o ajudado a recuperar a rede de supermercados Peti e criar a Hiperideal e a Mix.
João Carlos é de Ribeirópolis, município sergipano próximo a Itabaiana, onde nasceu Gualberto, e sempre houve entre ambos uma afinidade de origem e de atividade profissional. Atribui-se a articulação ao deputado Antonio Imbassahy, também apontado pré-candidato pelo PSDB, mas que tem outros planos.
Operação policial ameaça paz com Otto – Aliás, o quadro sucessório está ganhando complicadores, e o principal deles nos últimos dias foi a investigação da Polícia Federal contra o prefeito de Simões Filho, Eduardo Alencar (PSD), irmão do vice-governador Otto Alencar.
Por mais que se tente, na surdina, botar panos quentes na situação, que seria uma “operação policial normal”, é difícil convencer, no geral e no particular, de que não se tratou de uma cacetada armada contra Otto.
Talvez uma tentativa de dinamitar seu nome para o governo ou mesmo inviabilizar sua presença na chapa majoritária em qualquer posição que seja, o fato é que pode ter sido o embrião de uma futura dissidência.
Uma vez comprovada uma manipulação dirigida, saída de dentro do PT, ficaria difícil ao vice manter a convivência. Os desdobramentos poderiam até levar a uma candidatura independente por cuja colocação muita gente está, doidamente, esperando.
Ebulição política sugere confluências – “Otto não é de comer reggae”, disse um influente político ao sugerir que o pessedista poderá ter o deputado Ronaldo Carletto (PP) como seu vice numa eventual disputa pelo governo em faixa própria.
Carletto, como se sabe, comanda uma possível revoada de deputados para fora do seu partido e controla rico manancial de votos no Sul e Extremo Sul, justamente as regiões onde pesquisas informais dão Otto mais fraco em relação a outros postulantes.
Além de liderar colegas deputados para a possível empreitada, Carletto detém hoje o apoio direto de mais de 50 prefeitos e dezenas de lideranças, como o ex-prefeito Carlos Robson (PMDB), o Robinho, de Nova Viçosa, que tem vaga certa na Assembleia em 2014.
César Borges quer invadir a área – Outro complicador, este em potencial, é o ex-governador César Borges, que, se vier a ocupar o Ministério dos Transportes, vencendo a barreira que lhe impõe o PR, alguma influência de peso terá na sucessão.
Borges era um deputado estadual sem expressão, visto apenas como fruto de uma oligarguia familiar regional, mas o destino o catapultou ao estrelato com a morte do deputado Luís Eduardo Magalhães em 1998.
O falecido senador ACM o designou candidato ao governo da Bahia por uma qualidade para ele fundamental: a lealdade. O estágio deu-lhe estofo, levando a um bom mandato de senador, não renovado.
Agora, caso venha a ser ministro, certamente demonstrará a competência adquirida, que empregará principalmente na Bahia, pois é certo que não desistiu da carreira. (Por Escrito)
































