Aumentar o desemprego. Por mais que pareça cruel, essa é a proposta de alguns economistas para combater a inflação que persiste em um nível elevado e se tornou um dos piores problemas para o governo. Com a falta de mão de obra qualificada no mercado, os empresários disputam funcionários. As ofertas de salários mais altos se refletem imediatamente no custo dos produtos e serviços. A área econômica do governo ainda tem que lidar com novas pressões, como os aumentos futuros de tarifas de ônibus, pedágios, medicamentos, alimentos, revisões na conta de energia elétrica e mais alta nos preços dos serviços. Sem contar que esfriaria uma economia praticamente estagnada, que cresceu apenas 0,9% no ano passado, reduzindo ainda mais a já baixa projeção para expansão deste ano de 3%, às vésperas de ano eleitoral.
Para os economistas que defendem um freio na economia e queda do nível de emprego como receita para conter a inflação, aumentar os juros seria o caminho mais curto para isso. Essa proposta, entretanto, ganhou um opositor influente: Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento nas décadas de 70 e 80 e um dos gurus da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. Para ele, o Brasil vive um “processo civilizatório” de inclusão social, com aumento de renda. E, na sua visão, o controle da inflação tem de ser feito sem afetar essas conquistas.
— A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco aumentando os juros — afirma Delfim, para quem a saída para a economia é promover reformas estruturais que passem pelo aumento da educação do trabalhador. (O Globo)































