OSSAMI SAKAMORI *
Hoje de manhã, estava a assistir na TV entrevista do economista da FIEP (Federação das Indústrias do Paraná). Nem importa muito o nome do profissional. Falava ele, sobre movimentação do Porto de Paranaguá, em relação ao comércio bilateral com a China, cujas cargas passam por aquele porto.
Grosso modo, o número do ano passado, do volume que Brasil exportou, via Porto paranaense, 70% do volume de exportação para chineses representou “soja em grãos” e do volume de importação de produtos de origem daquele país, 70% representou item “eletro eletrônico”.
O Brasil exporta commodities e importa os manufaturados, quer da China ou de outros países do mundo. A constatação desta situação é visível ao povo brasileiro, aprendemos e viciamos a consumir produtos importados.
Voltamos à época do colonialismo, exportamos produtos primários e importamos manufaturados. Não gosto de admitir isso, mas o fato é que voltamos ao rol dos países do 3º mundo. É possível que sejamos expulsos do bloco informal BRICS, curiosamente, vai ficar RICS, sem o Brasil.
Presto atenção nas entrevistas, comentários e depoimentos do corpo técnico das entidades representativas de cada setor, de analistas dos institutos de pesquisas econômicas. Existe um descompasso, do que eles pensam e do que os dirigentes da entidades quer estatais ou privados, falam e defendem em público. São pensamentos completamente dissociados daqueles do corpo técnico. São discursos para agradar a presidente Dilma. Apenas isso.
A grande verdade é que há erro sistêmico na política econômica do governo Dilma, em especial. Dá-se prioridade a agradar o povo brasileiro, com medidas fáceis, de jeitinhos, de falsa sensação de “poder econômico”. Tudo para manter a popularidade da presidente Dilma e do Partido dos Trabalhadores com vistas às eleições de 2014. Osso bom, eles não querem largar. Querem se perpetuar no poder, não importa se as medidas paliativas são desfavoráveis ao País, no longo prazo.
Entre tantos distorções, o câmbio defasado é o principal erro do governo Dilma e do antes Lula. Com o real apreciado, dá-se sensação do “poder econômico”. Com dólar nos níveis atuais de cotação, coloca o Brasil em 7ª economia do mundo. O povo pode fazer viagens para os EEUU e fazer compras nos out lets. O povo pode viajar de avião ao invés de ônibus. Tudo à custa do dólar controlado, na banda informal de R$ 2,00 a R$ 2,10.
Enquanto isso a nossa indústria vai sucateando. A indústria brasileira que representava 25% do PIB, há 10 anos atrás, hoje ela representa apenas 17% do PIB. A indústria brasileira virou “indústria maquiadora”, como acontece no México. Não sabemos mais criar produtos, desaprendemos tudo que aprendemos em décadas. Viramos maquiadores ou montadoras de componentes. Falar de “inovação tecnolóiga” no Brasil é como contar piada.
Para sustentar as importações de produtos manufaturados e de produtos industrializados de consumo, o Brasil paga com os produtos primários como soja, milho, frango, minério de ferro, carne bovina, farelo de soja, etc. E agora, para piorar, com a defasagem de preço de combustíveis, o País importa gasolina pronta, porque a Petrobras não consegue investir na área de pesquisa, exploração e refino. O Brasil virou colônia do primeiro mundo, como dantes.
Não adianta cortar alguns poucos custo Brasil, fazendo uma gambiarra ali outro acolá. Dando jeitinho para manter a falsa sensação do “poder econômico”. Desoneração fiscal, redução de tarifa de energia elétrica, dentro do contexto são infinitésimo de 2ª ordem, diriam os matemáticos. É como uma gota de água mineral no oceano de água salgada. Diliu com tanta rapidez que nem percebe o efeito que espera o governo Dilma conseguir.
O principal problema está, entre tantos, no real demasiadamente apreciado. Fazendo correção do real considerando inflação oficial IPCA descontado inflação dos EEUU, teria que estar cotado no patamar de R$ 2,60. Isto significa que há necessidade de ajuste de 30% sobre a cotação de hoje. Se considerar a inflação IGP-DI, índice que é utilizado para diversas contas do governo, o dólar deveria estar cotado próximo de R$ 4,00.
Dizer que o dólar é flutuante no Brasil é uma outra piada. O Banco Central vem atuando fortemente nas cotações do dólar, comprando ou vendendo para mantê-lo dentro da faixa cambial informal. O Banco Central vem utilizando até artifício para manter o dólar sob controle, emitindo título “derivativo” denominado de Swap Cambial Reverso, que nada mais é do que venda de dólar no futuro. Se permite segurar o real apreciado, em tese, é possível manter o real no patamar que deveria estar, de no mínimo em R$ 2,60.
E aí que está o “x” da questão. O País vive hoje, numa economia “engessada”, com preços e valores desalinhados. O País vive numa situação parecida com a crise do “Plano Cruzado”. A saída desta situação artificial não vai ser fácil. A atual equipe da Dilma, nem a cabeça da Dilma é capaz de executar a saída suave desta situação. Tanto a presidente Dilma como a atual equipe econômica não tem competência para tal. Infelizmente, eles tem cabeça de bagre.
Enquanto isso, não pode ser executado, a saída suave do engessamento, o ministro Mantega e a presidente Dilma, vai dando o “jeitinho” para segurar a situação como está, até garantir a reeleição da presidente Dilma ou do seu padrinho político Lula. Mas, a bomba relógio já está acionada. Já estou escutando o “tic tac”. Explosão é questão de tempo. Desarmá-la é uma outra providência. Torço para que a bomba seja desarmada a tempo. Quanto mais antes fizer será menor o estrago.
Empresários, presidente de Entidades e imprensa, parem de puxar o saco da Dilma e comecem a denunciar a situação grave que passa o País, por favor!
* Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT. Twitter: @sakamori12






























