Problemas de estrutura e atrasos em obras federais estão impedindo a operação de usinas eólicas, afetando investimentos e onerando os custos do setor no Brasil.
Hoje, por exemplo, há 26 parques eólicos prontos no Rio Grande do Norte e na Bahia, mas todos estão fora de operação porque o governo federal ainda não instalou linhas de transmissão para levar a energia produzida ao consumidor. Esses parques ociosos têm um total de 622 MW de potência instalada.
Se esses parques estivessem em operação, a energia deles (289 MW na BA e 333 MW no RN) seria capaz de iluminar o Rio Grande do Norte inteiro ou Salvador (BA), terceira maior cidade do país.
Outro exemplo: essa quantidade de energia ociosa equivale à potência da termelétrica de Uruguaiana (RS), que produz pouco mais de 600 MW com uma energia mais poluente e mais cara.
Prejuízo – Além do desperdício de energia, a paralisia custa caro. A cada mês, desde julho, o governo federal é obrigado a repassar R$ 33,6 milhões para compensar o prejuízo das empresas que colocaram R$ 1,2 bilhão naquele que seria o maior complexo eólico da América Latina, na região de Caetité (BA).
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que o ônus da ociosidade para a população alcançará os R$ 440 milhões até setembro, quando os parques devem, enfim, conseguir operar.
A responsabilidade pelas linhas de transmissão, para conectar as eólicas ao sistema nacional, é da estatal Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), do grupo Eletrobras. Os atrasos chegam a um ano e meio.
“Não podemos dizer que os problemas de hoje são normais, mas não são irreversíveis. E todo setor que cresce de forma acelerada enfrenta gargalos de infraestrutura”, diz Elbia Melo, presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).
O cenário só não é pior porque seis parques no Ceará (186 MW), com conclusão prevista para 2012, atrasaram as obras. Caso estivessem prontos, elevariam as despesas do governo com compensações aos investidores.
Custo subestimado – Uma das críticas ao governo federal é que, nos leilões a partir de 2009, vencidos pela Chesf, o Ministério de Minas e Energia subestimou o custo da construção das linhas de transmissão em locais de difícil acesso. Procurado por três dias, o ministério não respondeu à reportagem.
Já a Chesf aponta entraves de licenciamento ambiental e do patrimônio histórico (os trajetos das linhas cruzam sítios arqueológicos). A empresa, porém, entrou com o pedido de licenciamento em Caetité poucos meses da entrega dos parques.
A seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negam dificuldades.
“Nossa área virou um Judas no Sábado de Aleluia. Todo problema de construção recai sobre o meio ambiente”, diz o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler. (Folha)


























