A Polícia Federal (PF) realiza nesta quarta-feira (12) a “Operação Calouro”, com o objetivo de desarticular a atuação de organizações criminosas especializadas em fraudar vestibulares para instituições de ensino superior de medicina em todo o Brasil. Usando métodos como a difusão de gabaritos por aparelhos eletrônicos ou a substituição dos verdadeiros candidatos na prova, as quadrilhas chegavam a receber entre R$ 25 mil e R$ 80 mil para aprovar estudantes para o curso superior.
No total, devem ser cumpridos 70 mandados de prisão e 73 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Vitória, Espírito Santo. Para realizar a operação, estão empregados mais de 290 policiais federais, em dez estados ( GO, MG, ES, RJ, SP, TO, RS, AC, MT e PI) e no Distrito Federal. Até o início da tarde, 43 mandados já haviam sido cumpridos.
As investigações estão em curso há um ano e seis meses. Segundo o delegado responsável pela operação, Leonardo Damasceno, a PF acompanhou mais de 50 vestibulares nesse período, em todo o país. Cada fraude gerava um lucro de até R$ 80 mil para as quadrilhas, de acordo com o método utilizado.
— Para o candidato receber o gabarito, eles cobram de R$ 25 mil a R$ 50 mil. Quando a fraude acontece por meio da substituição do estudante em sala, os preços variam de R$ 45 mil a R$ 80 mil. O que queremos mostrar é que este não é um tipo de crime irrelevante, nem esporádico. É algo organizado, lucrativo e que precisa de atuação constante — diz Damasceno, complementando que a operação vai quebrar um sistema de mais de 20 anos de atuação.
O delegado conta que o acompanhamento da Polícia Federal conseguiu evitar a efetivação da fraude na maior parte das tentativas, por meio de uma parceria com as instituições de ensino, que colaboraram com as investigações. Por isso, ele prefere manter o nome das faculdades envolvidas em sigilo.
— As instituições também são vítimas das quadrilhas. Quando uma faculdade promove um vestibular, ela quer selecionar os melhores estudantes. E a ação dessas organizações quebra essa lógica, trazendo, muitas vezes, um universo de alunos que não são bons. Vamos indiciar também os estudantes que identificamos terem sido aprovados por meio da fraude. Mas, em todo o caso, o que posso garantir é que as quadrilhas, nesse um ano e meio de investigação, encontraram muita dificuldade em agir. O resultado delas, com certeza, foi muito pior do que seria eventualmente sem a participação da PF e a colaboração das instituições — afirma o delegado.
Rio – O Rio de Janeiro, de acordo com Damasceno, tem um vestibular muito visado e, por isso, as instituições da cidade são alvos valiosos das quadrilhas. Ele diz que, em algumas faculdades privadas, inclusive, as vagas são concorridas quase todas pelas diferentes organizações criminosas.
— Os jovens têm muito interesse em estudar no Rio. Por isso, as quadrilhas conseguem muitos clientes para a cidade. No fim, quem leva a disputa é a quadrilha que tem o melhor desempenho — diz Damasceno. (O Globo)




























