A suposta atuação do ex-número dois da AGU José Weber Holanda Alves no esquema de compra e venda de pareceres jurídicos é maior do que o admitido até agora pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, como mostram as investigações da PF. Ex-advogado-geral adjunto, Weber não só cuidou de elaborar pareceres, mas também vazou para Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), apontado como chefe da quadrilha, todo o conteúdo de mensagens trocadas entre advogados da União.
Documento do inquérito civil público do Ministério Público Federal em São Paulo, remetido à Polícia Federal, diz que Weber transferia as mensagens de seu e-mail institucional da Advocacia Geral da União para um e-mail pessoal. A partir daí, fazia os encaminhamentos a Vieira.
Os procedimentos da AGU em relação às instalações portuárias da empresa Tecondi, que já havia sido alvo de um processo no Tribunal de Contas da União (TCU), foram repassados por Weber a Paulo Vieira, conforme o documento do MPF enviado à PF. A Tecondi tinha interesse em receber áreas do Porto de Santos que não estavam listadas na concorrência que havia disputado. Pareceres da União poderiam ajudar a garantir que a empresa recebesse um setor valorizado do porto.
Coube ao então advogado-geral adjunto “provocar institucionalmente” a AGU a fim de tomar as providências, segundo as investigações. “Na mensagem, afirmou categoricamente que o caso é urgente”, cita o MPF. O caso da Tecondi, segundo a PF, resultou em pagamento de propina ao denunciante do esquema, o ex-auditor do TCU Cyonil Borges. (Vinicius Sassine/O Globo)































