ACM Neto, 33, eleito prefeito de Salvador, exaltou a vitória nas eleições municipais dos que chamou de “protagonistas” da CPI que investigou o mensalão, em 2005: Eduardo Paes (PMDB), Gustavo Fruet (PDT) e Arthur Virgílio (PSDB), além dele, representante do Democratas.
À época, o prefeito eleito da capital baiana disse que seria “capaz de dar uma surra” no então presidente Lula, porque estaria sendo alvo de grampos telefônicos. O episódio foi explorado pelo candidato do PT, Nelson Pelegrino, e pelo próprio Lula na campanha na cidade.
Ontem, em entrevista à Folha em seu apartamento com vista panorâmica da orla, ele disse que seu triunfo “sepulta” de uma vez por todas o assunto. E que não representa, agora, uma espécie de “surra eleitoral” no ex-presidente, mesmo tendo enfrentado um partido que controla os governos federal e estadual.
Ele, que receberá a segunda capital mais endividada proporcionalmente à sua receita, diz que tomará medidas impopulares, logo no início da gestão, para equilibrar as finanças municipais. Leia, a seguir, trechos da entrevista de ACM Neto à Folha:
Folha – Com a sua vitória, o DEM volta a ser protagonista na política nacional?
Antonio Carlos Magalhães Neto – Várias vezes foi preconizada a morte do Democratas, e ele está aí, vivo, e vai continuar. Qualquer que fosse o prefeito eleito da terceira maior cidade do Brasil, seu partido teria relevância. Então, pela importância de Salvador, é claro que o Democratas saiu vitorioso. Nós entramos sem nenhum prefeito de capital e saímos com dois [incluindo Aracaju/SE].
O sr. disse que ligou para o vice-presidente Michel Temer, após a apuração, para ele ser seu interlocutor no Palácio do Planalto.
Estaremos com ele nesta semana. Eu quero construir as pontes com o governo federal, tanto com o vice-presidente, quanto os ministros e a presidente. No momento certo, com o devido ritual, eu quero estar com todos eles.
O que o senhor tem a oferecer em troca?
Primeiro, um prefeito comprometido. E, no campo político, a garantia de que ambos vão poder capitalizar e ter os créditos devidos de tudo o que fizerem em Salvador. Vou saber reconhecer e aplaudir o governador e a presidente.
O sr. espera seguir os passos de nomes como o ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa [hoje governador do PR], bem avaliado mesmo na oposição?
Espero. Tenho alguns espelhos e ele é um deles. É um grande exemplo e pretendo, sim, tomar as medidas necessárias para que Salvador tenha um grande gestor. Claro, não há que se esperar que, da noite para o dia, vamos resolver todos os problemas. Com trabalho e com empenho, não tenho dúvida de que a gente conseguirá.
Como o sr. viu o avanço do PSB nestas eleições? É um possível aliado para 2014?
O PSB é um partido que cresceu, tem um grande nome nacional, que é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e acho que o Democratas tem que ter diálogos não só com ele, mas com todos os partidos.
Há rumores de que o senador Aécio Neves já o sondou para o PSDB. Há chance de o sr. ser vice da chapa dele para a Presidência, em 2014?
Aécio é meu amigo e tenho com ele uma relação extremamente próxima, mas só falo de 2014 em 2014.
Em entrevista à Folha, em 1999, o sr. disse que tinha o sonho de ser presidente da República.
A partir dessa entrevista com Mônica [Bergamo], eu aprendi que não existe pergunta mal feita, existe resposta mal dada. Então, não vou cair na sua (risos). Eu tinha 19 anos de idade.
Sua vitória, no contexto que foi, representa uma “surra eleitoral” em Lula?
(Risos) Não, veja, quem ganhou foi a cidade. Eu não tenho nada de pessoal contra o ex-presidente. Acho que esse assunto, graças a Deus, foi sepultado nesta eleição. Meus adversários não poderão mais usar isso. Foi um momento da minha vida, que é normal para quem estava começando, e o momento hoje é outro. Agora, tem uma coisa interessante: os quatro protagonistas daquela CPI hoje são prefeitos: Eduardo Paes, Gustavo Fruet, Arthur Virgílio e ACM Neto.
O sr. rejeita o rótulo do carlismo, mas diria que seu avô mais ajudou ou atrapalhou?
Deu muito mais bônus que ônus, muito mais. Se não fosse assim, eu não era prefeito de Salvador hoje. A base inicial nossa foram os eleitores que sempre admiraram o senador Antonio Carlos. Agora, a minha capacidade de construir um arco muito mais amplo, de quebrar paradigmas, foi o que permitiu que a gente construísse a nossa vitória.
O grito na festa da vitória, no seu comitê, foi “Ô, ACM voltou!” ACM voltou?
Rapaz, veja bem… Já não tenho mais idade para cair em pegadinha. O que posso dizer a vocês, é o seguinte: nós vamos iniciar um novo momento na politica de Salvador e meu governo vai ser o governo de todos. Dos carlistas e dos não carlistas. (Folha)

































Sem nenhuma dúvida, vcs tão fazendo melhor site de salvador. conteúdo muito bom. parabés a equipe.