O anúncio da Associação dos Oficiais da PM baiana (AOPM-BA) na televisão dizendo que o governo não cumpriu a palavra no pagamento de um reajuste soou forte no governo e na sociedade, com compreensíveis motivos. É algo tão inédito quanto surpreendente.
Não há precedente na história. E revela a vastidão da distância entre o governo e a oficialidade gerada por uma lógica ululante, a total falta de diálogo das partes.
Que o governador Jaques Wagner tem dificuldades com a PM sempre se soube. Mas a frase que fecha o anúncio é emblemática.
Quem promete e não cumpre, merece confiança?
Parece uma pergunta mas é uma resposta. A Associação dos Oficiais não apoiou a greve de fevereiro. Agora acha que calculou mal: ficou contra os praças e não recebeu a recíproca do governo.
A relação se deteriorou quando a AOPM ganhou na Justiça uma questão relativa à GAP, só paga em parte. O presidente, o Ten-Cel. Edmilson Santos mandou carta para o governador cobrando o cumprimento da decisão.
O governo não gostou e deu a resposta: instaurou inquérito contra Edmilson.
Edmilson não gostou e deu a resposta: é o comercial que se vê na tevê.
Nas outras vezes que o governo viu sinais de turbulências subestimou e se deu mal.
Agora, novos sinais estão aí.
A gênese — Na gênese da questão está a forma do governo se relacionar com a PM.
Historicamente o comandante da corporação tinha canal direto com o governador. Para a tropa, um sinal de desprestígio.
Um oficial lembra que procedimento semelhante foi adotado no governo César Borges. O resultado foi uma greve (a de 2001). Com Wagner o modelo foi restaurado. Deu noutra greve (a de fevereiro).
Sem Amor — O deputado Capitão Tadeu (PSB), que conversa com o governo e com a oficialidade (é sócio da AOPM) diz que o casamento do governo Wagner com a PM é do tipo convivência por conveniência. No início amores, agora, encanto quebrado:
— Wagner tirou do PM o amor pela corporação.(Levi Vasconcelos, Coluna Tempo Presente/A Tarde)































