LUÍS AUGUSTO GOMES
O deputado Nelson Pelegrino assumiu ontem pessoalmente a tarefa de resolver a crise nascente em oito partidos de sua coligação, inconformados com a falta de amparo pela campanha majoritária: foi sozinho, sem assessores que pudessem interferir, ao encontro dos presidentes das legendas, e com eles teve uma reunião considerada “produtiva”.
Fonte de Por Escrito disse que o candidato do PT a prefeito mostrou-se surpreso com as queixas apresentadas, e ao conhecer todo o quadro telefonou para coordenadores da campanha determinando providências com relação ao estúdio de gravação, à assessoria jurídica aos partidos e ao material gráfico.
O estúdio, situado na Avenida Manoel Dias da Silva, é, na descrição de um candidato a vereador, “um cacete armado calorento, cheio de poeira, sem cenário decente, sem maquiador e com iluminação ruim. A filmagem sai escura”. Algumas melhorias foram feitas de imediato, mas o compromisso de Pelegrino foi alugar uma nova produtora para o grupo.
Partidos já recebem assessoria jurídica – Quando o assunto foi a falta de advogados para apoiar os partidos, Pelegrino viu que ele vai precisar dedicar a problemas administrativos tempo precioso que deveria ser empregado nas questões políticas e eleitorais próprias da campanha: nem seus assessores sabiam os nomes do advogados postos à disposição dos coligados.
“Ele ligou para a Santo Guerreiro (produtora), e logo indicaram quatro advogados, nós já conversamos com eles, até assinamos umas procurações para não ser aquele corre-corre na hora em que precisar”, disse a fonte.
Com relação ao material gráfico, a informação colhida pelo candidato, em nova ligação, foi de que estava pronto em São Paulo, mas sem recursos para o transporte. Foram tomadas as medidas necessárias e amanhã os cartazes e “santinhos” serão distribuídos aos partidos.
Candidato terá reunião semanal com aliados – Nas palavras de presidentes de partidos, nota-se a mágoa pela discriminação que sofrem em relação a legendas mais poderosas da coligação, como PP, PDT, PSD e, claro, o PT. “Não é possível que seis partidos tenham carros de som e oito não tenham”, disse um deles.
Também esse problema terá resolução, prometida por Pelegrino. Mas ele pediu “um tempinho” porque “tudo será feito com contrato, dentro da lei, para evitar consequências, principalmente qualquer acusação sobre caixa dois”.
Os partidos rebelados – PSDC, PTC, PHS, PR, PTdoB, PRP, PMN e PTL – conquistaram uma vitória importante no seu objetivo de participar da campanha: toda semana, na sexta ou no sábado, Pelegrino se reunirá com eles na sede da agência Elite, que funcionará como uma espécie de comitê do grupo.
“Grandes” também apontam desorganização – Vencida essa batalha, o candidato Pelegrino deve voltar sua atenção para reclamações que, embora sem movimentos contestatórios, ocorrem também em outros partidos da coligação. Representante de uma das legendas, digamos, privilegiadas resume a situação: “Ninguém dá atenção aos candidatos e partidos aliados”.
A fonte acha que a coordenação das atividades de uma campanha majoritária desse porte não pode ser diluída entre profissionais, por mais competentes que sejam: “Sentimos a carência de um interlocutor político de nível, pessoa nomeada para esse fim, como um senador, um deputado, um prefeito”.
Um erro fundamental que estaria sendo cometido é “apostar todas as fichas” no programa eleitoral na televisão, deixando “sem estrutura” os candidatos pequenos.
“Para que 600 candidatos, se eles não são estimulados?” – indagou, afirmando que caminhadas com Pelegrino são desmarcadas apenas uma hora antes, sem levar em conta o trabalho perdido na mobilização. (Por Escrito)
































