Dois réus acusados de sequestrar e matar em 2002 o ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) tiveram destinos diferentes nesta quinta-feira, 16, no Fórum de Itapecerica da Serra, Grande São Paulo. Elcyd Oleiveira Brito foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado pelo juiz Antonio Augusto Galvão Hristov. Itamar Messias Silva dos Santos, por sua vez, teve o julgamento adiado pelo magistrado a pedido da defesa. Elcyd foi considerado culpado por quatro dos sete jurados. Um votou pela absolvição – o que fez os advogados recorrerem da decisão.
Ao fixar a pena o juiz afirmou ter considerado a personalidade do acusado, que fugiu da cadeia quando cumpria pena por outro crime e os antecedentes criminais. Elcyd tem passagem por formação de quadrilha, porte de arma e roubo. “O crime causou um severo clamor social. Isso tem que ser levado em conta na aplicação da pena”, disse Hristov. O juiz disse ter considerado ao todo cinco agravantes na pena, que somaram dez anos a mais de detenção. O magistrado leu a sentença, em que avaliou que Celso Daniel era cotado para ser ministro do governo Lula. E defendeu a consideração da repercussão social do crime.
Em maio, outros três réus já foram condenados em júri pela morte de Celso Daniel. Eles pegaram penas entre 18 a 24 anos. O primeiro acusado havia sido condenado em 2010. Celso Daniel foi morto em janeiro de 2002, após dois dias de sequestro. O corpo foi encontrado em uma estrada de Juquitiba, com marcas de tiro.
Segundo o promotor Marcio Augusto Friggi, o crime teve motivação política. Para ele, o ex-prefeito foi assassinado, porque discordou do desvio de verbas públicas na prefeitura de Santo André para enriquecimento próprio dos corruptores. Ele sustenta, no entanto, que Daniel tinha ciência do esquema de corrupção montado na Administração à época e o aceitava quando o objetivo era o financiamento político do Partido dos Trabalhadores.”A pena foi adequada, justa, proporcional à barbaridade que foi praticada”, afirmou o promotor.
Irmão do ex-prefeito, Bruno José Daniel se disse satisfeito, apesar da demora no julgamento. Ele acredita na tese de crime político, por caixa dois de campanha. “É um crime que tem a ver com a baixa institucionalidade do nosso País, no que se refere à maneira como se faz política aqui. Isso tem de ser mudado”, disse Bruno José Daniel. (Estadão)






























