A Olimpíada atraiu as atenções internacionais para a capital britânica, mas o Brasil observou os Jogos de Londres com um olhar um pouco mais cuidadoso que o de outros países.
A cada competição, cada intervalo ou cada problema logístico que ganhou as manchetes dos jornais locais, autoridades brasileiras tentaram encontrar respostas para uma pergunta-chave: o que podemos aprender com a experiência olímpica britânica para garantir o sucesso dos Jogos no Rio em 2016?
Para responder a essa questão, muitas dessas autoridades brasileiras acompanharam diversos aspectos da organização e implementação Jogos de Londres. Atletas veteranos de várias Olimpíadas e chefes de delegações esportivas também foram frequentemente consultados sobre suas impressões.
Além disso, com a colaboração britânica, dois programas de observadores foram implementados para facilitar o fluxo de informações do atual anfitrião dos Jogos para os brasileiros. O primeiro trouxe à Grã-Bretanha cerca de cem funcionários do governo brasileiro.
O segundo, com aproximadamente 150 integrantes, estava ligado ao comitê organizador da Rio-2016 e permitiu três tipos de esquemas de observação: a simples visita a estádios e escritórios administrativos, o acompanhamento de funcionários britânicos durante o seu dia de trabalho e o envolvimento ativo em tarefas ligadas à gestão dos Jogos de Londres.
A BBC Brasil entrevistou algumas dessas autoridades, funcionários de órgãos envolvidos na organização da Rio-2016, atletas veteranos e torcedores brasileiros para entender quais são as lições que o Brasil pode tirar dos erros e acertos britânicos. A lista abaixo, resultado dessa apuração, expõe os desafios que o País tem pela frente.
A percepção geral é de que, salvo falhas pontuais, a Grã-Bretanha levou ouro na organização os Jogos – e será uma tarefa difícil para o Rio alcançar o mesmo padrão na gestão da sua Olimpíada, em 2016.
Como definiu com entusiasmo o ex-jogador de vôlei e chefe da Missão do Brasil na Olimpíada, Bernard Rajzman, que já participou de oito Olimpíadas, como atleta ou dirigente: “Em termos de organização, agora Londres concorre com Barcelona, Sidney e Pequim pelo título de melhor Olimpíada da história moderna dos Jogos.”
Transportes
Metrô de Londres: desafio na área de transportes será muito maior para o Rio
Na área de transportes, os problemas em Londres foram bastante localizados, como a paralisação, por algumas horas, da linha Central do metrô, que leva ao Parque Olímpico, em um dos dias mais movimentados dos Jogos; ou o fato de que alguns dos motoristas disponibilizados para os atletas e membros de delegações olímpicas não conheciam muito bem as ruas de Londres, como destaca Rajzman.
No geral, porém, o sistema de transporte da cidade aguentou bem o fluxo de fãs do esporte que se dirigiam para os principais locais de competição, como destacou o mesa-tenista brasileiro Hugo Hoyama, que participou de todas as Olimpíadas desde 1992.
As faixas de trânsito exclusivas permitiram o deslocamento rápido de atletas e membros de delegações olímpicas para os locais das competições. E para os espectadores que queriam chegar ao Parque Olímpico também foram oferecidas muitas opções – duas linhas de metrô, ônibus e até barco.
Além disso, meses antes dos Jogos autoridades de Londres já instruíam os habitantes da cidade para trabalharem de casa ou mudarem seus horários durante as competições.
Esse planejamento foi considerado eficiente por autoridades brasileiras, mas o desafio do Rio de Janeiro será muito maior que o de Londres, dado o problema crônico de insuficiência e má qualidade de rede de transporte público carioca.
Por isso, essa é uma das áreas que vai exigir mais investimentos e planejamento, como enfatizam o embaixador do Brasil em Londres, Roberto Jaguaribe, e o presidente da Autoridade Pública Olímpica brasileira, Márcio Fortes.(Ruth Costas, da BBC Brasil em Londres)




























