Principal partido envolvido no escândalo do mensalão em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o PT blindou-se para evitar que o caso atrapalhe os candidatos nas eleições municipais de outubro. Para facilitar a tarefa, o discurso foi unificado e a linha mestra do raciocínio foi dado no vídeo divulgado pelo presidente do partido, Rui Falcão, na sexta-feira, 27 de junho. “Não houve mensalão, não foram utilizados recursos públicos no episódio, nenhum petista se beneficiou de qualquer recurso para fins pessoais e nenhum deles se enriqueceu.”
O mantra deve ser utilizado, segundo petistas ouvidos pelo Estado de Minas, por candidatos do partido “de norte a sul, de leste a oeste”. Desde que o tema seja suscitado nas eleições. Caso contrário, o PT quer é debater ideias, propostas de governo e fingir que não tem nada a ver com a discussão que está sendo travada no STF.
Essa é a tática, por exemplo, do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Réu do mensalão sob a acusação de ter pego R$ 50 mil por intermédio das agências de Marcos Valério, João Paulo ainda não foi confrontado pelos adversários na disputa pela Prefeitura de Osasco (SP). Enquanto isso, vai planejando o transporte urbano e mostrando o que pretende fazer para dar continuidade aos oito anos da gestão petista de Emídio de Souza no município.
O PT conta, por enquanto, com o benefício de uma aparente trégua em diversos municípios. No primeiro debate televisivo realizado em São Paulo, Fernando Haddad – que patina em índices pífios de intenção de voto – foi poupado tanto pelo tucano José Serra quanto pelo candidato do PRB, Celso Russomano. Quem cobrou um discurso ético do candidato do PT foi o candidato do PSOL, Carlos Gianazi. Haddad se esquivou. (Paulo de Tarso Lyra/O Estado de Minas)































